As mãos de Miguel estavam firmes ao volante, mas eu percebia a tensão nos ombros dele. Ele não dizia nada, concentrado na estrada, e eu também não fazia questão de quebrar o silêncio. Às vezes, palavras não são necessárias. Às vezes, elas até atrapalham.
O hospital apareceu no horizonte e meu estômago se revirou. Engoli em seco, respirando fundo. A manhã estava bonita, com um céu azul límpido e algumas nuvens dispersas. Parecia irônico. A leveza do dia contrastava com o peso que carregávamos no