“AMÉLIA COBALTO
Eu não deveria estar pensando na minha irmã naquele momento.
Mas enquanto observava o movimento lento das mãos do Afonso virando as páginas do livro — apenas com o braço bom, porque o outro repousava na tipóia feita com um lenço grosso — meu coração bateu dolorosamente no peito, chamando um nome que eu vinha evitando há dias.
Anelim.
Ela jamais aprenderia a ler.
Minha irmã jamais veria as letras tomando forma, jamais formaria palavras, jamais entenderia a diferença entre uma ví