CAPÍTULO DEZ

“AMÉLIA COBALTO

Eu não deveria estar pensando na minha irmã naquele momento.

Mas enquanto observava o movimento lento das mãos do Afonso virando as páginas do livro — apenas com o braço bom, porque o outro repousava na tipóia feita com um lenço grosso — meu coração bateu dolorosamente no peito, chamando um nome que eu vinha evitando há dias.

Anelim.

Ela jamais aprenderia a ler.

Minha irmã jamais veria as letras tomando forma, jamais formaria palavras, jamais entenderia a diferença entre uma vírgula e um ponto final.

Tudo aquilo que eu estava prestes a aprender, que ele — meu marido, meu medo, meu protetor confuso — estava disposto a me ensinar, ela nunca teve.

Papai dizia que mulheres não precisavam disso.

Que o destino delas era obedecer, cozinhar, casar e parir.

Anelim morreu acreditando nisso.

Morreu sem saber que podia desejar mais.

Quando toquei o livro e senti a textura áspera do papel grosso na ponta dos dedos, uma onda quente subiu pela minha garganta.

Não era tristeza.

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