CAPÍTULO DOZE

AMÉLIA COBALTO

A porta range antes mesmo que eu termine de prender o cabelo. A madeira velha sempre anuncia visitas indesejadas antes que elas apareçam — mas nenhuma porta no mundo conseguiria me preparar para minha mãe atravessando o batente como um furacão de saias engomadas e expectativas pesadas.

Ela nem bate. Nunca bateu.

Entra como se ainda fosse dona da minha vida.

— Amélia. — O tom é uma sentença. — Ainda não consumou?

Eu fecho os olhos por um instante. Só um.

O suficiente para pedir paciência a um santo que eu nem sei se existe.

— Mãe… — começo, mas ela levanta a mão como quem cala uma criança.

— Não me venha com desculpas. Como espera garantir seu lugar nesta casa? Acha que casamento se sustenta por caridade?

Eu aperto os dedos contra as próprias saias para não tremer.

— Afonso está ferido, mãe. Não seria…

— Ferido! — ela debocha, bufando. — Homens trabalham feridos, guerreiam feridos, fazem filhos feridos. Não lhe falta braço, falta coragem.

É como levar um tapa na a
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