Capítulos oito AMÉLIA COBALTO “A porta da frente se abriu com um estrondo surdo, pesado, como se o vento tivesse empurrado — mas não era o vento. Era Afonso. E ele entrou cambaleando. estava no corredor, ainda de camisola, as mãos trêmulas de tanto esperar. A noite tinha sido uma agonia inteira. Ele havia saído às pressas para cuidar do incêndio na fazenda, a mais distante, e ninguém tinha trazido notícias. Cada minuto parecia um ano. Quando o vi, o ar fugiu do peito. O paletó estava queimado em algumas partes, a camisa aberta e suja de fuligem, a pele manchada de fumaça. Um corte no supercílio escorria sangue seco. Ele respirava como um animal que correu demais, como se a noite inteira tivesse sido uma guerra. — Afonso? — a minha voz saiu pequena, mas audível. Ele levantou os olhos e… havia algo selvagem, intenso, febril ali dentro. Um misto de frustração por ter sido impedido de consumar o matrimônio e um alívio silencioso, por me ver esperando por ele? — Amélia… — f
Ler mais