CAPÍTULO Nove

AFONSO COBALTO

“Passei a noite em claro.

Não por causa das queimaduras, nem do peso insuportável que meu corpo carregava depois de horas controlando o fogo na fazenda do sul.

Passei a noite acordado porque ela estava ali.

Amélia dormia sentada na cadeira ao lado da cama, como se tivesse apagado de exaustão enquanto velava meu sono. O cabelo dela caía pelos ombros, a camisola simples deixava parte da clavícula à mostra e, ao me observar por alguns instantes, percebi algo que nunca tinha acontecido comigo:

Eu não queria que ela acordasse assustada comigo.

Queria que acordasse segura.

Ridículo.

Perigoso.

Mas real.

Meu braço latejava dentro da tipóia improvisada. O ombro havia deslocado por causa de um tronco que caiu enquanto eu e meus homens tentávamos conter as chamas. Eu empurrei a madeira com força demais, porque estava com pressa demais, porque queria voltar para casa depressa demais.

Voltar para ela.

O médico disse que ficaria alguns dias sem levantar o braço direito.

Ótimo.

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