AFONSO COBALTO
Eu não devia tê-la levado até aquele lugar.
Foi o primeiro pensamento que tive ao ver Amélia parada à beira do lago, a luz filtrada da gruta desenhando o corpo dela de um jeito que não me deixava em paz. Aquele silêncio, aquela proximidade… eu sabia exatamente o que estava fazendo quando a coloquei no cavalo e a trouxe comigo.
Mentira.
Eu sabia que não resistiria.
O caminho de volta foi pior do que a ida. O corpo dela colado ao meu, a forma como se encaixava sem esforço, como se tivesse sido feita para aquele lugar. Amélia não pesava nada, mas eu sentia tudo. Cada movimento do cavalo fazia o quadril dela pressionar o meu, e era impossível não reagir.
Meu braço doía. Latejava. Mas havia outra coisa pulsando mais forte.
Ela se mantinha ereta, tentando parecer distante, mas o corpo a traía. Eu sentia quando ela prendia a respiração. Sentia quando se ajeitava, sem saber se era por desconforto ou por algo que ela ainda não tinha coragem de admitir.
Aquilo me deixou decidido.