AMÉLIA COBALTO
Costurar sempre foi meu refúgio.
Desde menina, quando minha mãe me empurrava para a sombra do alpendre com um punhado de linhas e um pano qualquer, dizendo que pelo menos aquilo eu precisava saber fazer. O que era ironia, porque costurar nunca foi um “pelo menos” para mim — foi um mundo inteiro. Um lugar onde eu podia mandar, decidir, criar, existir.
Agora, sentada no banco baixo perto da janela do quarto, com o sol da tarde batendo suave nas minhas mãos, percebo que faz tempo qu