CAPÍTULO DOZE

AMÉLIA COBALTO

Costurar sempre foi meu refúgio.

Desde menina, quando minha mãe me empurrava para a sombra do alpendre com um punhado de linhas e um pano qualquer, dizendo que pelo menos aquilo eu precisava saber fazer. O que era ironia, porque costurar nunca foi um “pelo menos” para mim — foi um mundo inteiro. Um lugar onde eu podia mandar, decidir, criar, existir.

Agora, sentada no banco baixo perto da janela do quarto, com o sol da tarde batendo suave nas minhas mãos, percebo que faz tempo que não sinto essa paz.

A casa anda cheia de expectativas.

De olhares.

De silêncios que pesam.

E a costura… bem, ela me mantém respirando.

Hoje começo o que deveria ser o meu enxoval.

A palavra pesa no ar. Tem cheiro de futuro, mas também de pressão.

Dobro o tecido branco sobre o colo e passo os dedos devagar por ele. Linho bom, tecido firme, comprado por Afonso sem que eu pedisse. Quando ele me entregou o pacote, apenas disse:

— Se vai costurar o que é seu, que seja com o melhor.

Eu não soube res
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