CAPÍTULO DOZE

AMÉLIA COBALTO

Costurar sempre foi meu refúgio.

Desde menina, quando minha mãe me empurrava para a sombra do alpendre com um punhado de linhas e um pano qualquer, dizendo que pelo menos aquilo eu precisava saber fazer. O que era ironia, porque costurar nunca foi um “pelo menos” para mim — foi um mundo inteiro. Um lugar onde eu podia mandar, decidir, criar, existir.

Agora, sentada no banco baixo perto da janela do quarto, com o sol da tarde batendo suave nas minhas mãos, percebo que faz tempo qu
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