Mundo de ficçãoIniciar sessão
As ruas de Londres estavam vazias. A escuridão ocultava as vielas e a chuva fina que caia, tornava a noite, além de escura, lúgubre. Lorena andava rapidamente, encolhida dentro de uma capa com capuz, fugindo da chuva, ou quem sabe, do que se escondia nas sombras.
Tinha vindo para a cidade enevoada e fria, acompanhando seu irmão e estava muito desgostosa com essa mudança. Sentiu-se em perigo desde que chegou e saiu de casa na noite fria, por sentir que algo não estava certo. Conseguiu sair das vielas e chegar à beira do rio Tâmisa, em uma área recém reformada. Encostou-se em uma árvore, protegendo-se da chuva e pegou o celular, que não parou de vibrar durante todo o tempo que caminhou até ali. As mensagens eram o que já esperava, seu irmão Lucas, perguntando onde ela estava. — Idiota, você só sentiu falta da comida na mesa. Vá se danar! — falou para o telefone, com raiva. Lucas estava segurando o celular, esperando resposta de Lorena, mas ela não respondeu e um pouco depois, sentiu um choque tão forte vindo do celular, que tremeu e deixou o aparelho cair e quebrar. — O que foi isso, cacete? — reclamou, assustado. As lágrimas escorreram pelo rosto de Lorena. Estava farta de ser maltratada, de servir de criada e ter que fugir dos amigos do irmão para não ser estuprada. Seu corpo estava desnutrido pela má alimentação e cheio de hematomas das surras que levava quando não dava conta do serviço. Sua mãe sempre disse para não usar seu poder para pouca coisa e esperar sempre o momento certo. Suas roupas estão rotas de tão usadas e a capa que a protegia no momento, não era dela, roubou da porta da casa dos vizinhos. Ouviu os cães da redondeza latindo incessantemente, puxou o ar e sentiu o cheiro forte dos lobos. Os cães sentem e avisam uns aos outros sobre o perigo chegando. — Só me faltava essa… A chuva parou. Olhou para o céu, viu as nuvens se dispersando e a claridade azulada dos raios lunares, chegando até ela. Saiu da sombra da árvore e foi para debaixo da luz lunar. Sentiu os lobos se aproximando e um uivo alto e forte, que chamava sua loba, ao mesmo tempo que a dor invadiu seus ossos. — Oh, estou me transformando. Por quê só agora? A dor era intensa e ocultou-se entre a vegetação, para não ser vista. Os lobos chegaram e ela percebeu que não era seu irmão e nem ninguém que conhecesse. A transformação se completou e ela já não era uma jovem pequena e fraca e sim, uma loba, embora magra, alta e maior do que os lobos que chegaram. Não dava mais para se ocultar e todos a viram. Eles uivaram alto, avisando o Alfa, que, rapidamente, chegou por trás dela e pulou, prendendo-a sob seu corpo pesado e bem maior que o dela. A mordida de suas presas, doeu e ela rosnou, reclamando e logo foi liberta do peso, mas não conseguiu fugir. Com a mordida, ficou sob o domínio do Alfa e estava muito fraca para resistir à sua dominância forte. Ele voltou à forma humana, totalmente nú. Um homem muito maior que os humanos normais, com uma cabeleira desgrenhada e com as presas de fora. A loba o observou, mas logo abaixou a cabeça. — V O L T E! Ordenou ele, com sua voz profunda e grave, mas ela não temeu, já tinha suportado de tudo na vida, por não ter se transformado. Agora que sua loba saiu e era forte, não cederia a qualquer um. Deitou sobre as pernas e cobriu a cabeça com as patas. — Que loba teimosa, carreguem-na para a minha casa. Ele voltou a sua forma lupina e era um imenso lobo negro, com olhos vermelhos, o que significava que era violento. Usava um cordão com um pingente. A pedra no centro dele, era um imenso rubi, que combinava com seus olhos. “ Esse idiota pensa que me engana, só não resisti, por estar fraca, mas assim que me fortalecer, ninguém me dominará. Sei que aquela pedra contém feitiço de ocultação e ele se arrependerá de me prender como uma qualquer.” Pensou Lorena. O Alfa Noah Smith era o líder da Alcateia Blue Moon. Habitavam a margem sul do rio Tâmisa, se mesclando com os humanos, mas nas noites de lua, deixavam seus lobos no controle e ficavam na mata mais densa, reservada e exclusiva da família Smith. A muito tempo ele esperava por sua companheira, mas não esperava que fosse uma desgarrada rebelde e mal nutrida. Marcou-a para não perdê-la, mas não sabia se ficaria com ela. — O que fará com ela, senhor, não parece ser daqui. — perguntou seu beta, Norman, líder da equipe de guardas. — É mesmo, é? Como você deduziu isso? — ironizou Noah. — Tá, você está certo. Ela parece uma desgarrada, mas não deixa de ser uma Alfa, só está desnutrida. — Cace algum animal, vamos alimentá-la antes de chegarmos. Pararam em uma pequena clareira, colocaram-na no chão e Normam trouxe um veado de tamanho médio, colocando-o diante dela. A loba estava esfomeada e rapidamente consumiu o animal, não deixando nada além das partes impossíveis de comer. Noah levou-a até um pequeno lago e ela lavou-se e bebeu da água fria, mas não voltou à sua forma humana. Deixou-se levar, pacificamente e quando chegaram a casa, observou que era grande e moderna, cercada pela mata, muito bem protegida. Foi colocada em um quarto do segundo andar, sozinha e trancada. Ela foi para o banheiro e por ser uma loba tão grande, não passava pela porta. Olhou em volta e voltou a forma humana, entrando rapidamente e trancando a porta do banheiro. Aliviou-se e tomou um bom banho, agradecida por aquele luxo. Não tinha essa mordomia na casa do irmão. Secou-se e saiu enrolada na toalha, encontrando o quarto ainda vazio. Encontrou uma cadeira entalhada em madeira de lei e prendeu a maçaneta, com o encosto. — Pronto, assim dá para ouvir quando alguém chegar e voltar à forma lupina. Ela deitou-se e cobriu-se com o edredom, pois o quarto estava gelado com o ar condicionado ligado. Dormiu imediatamente, cansada e satisfeita com a cama confortável e quentinha, ao contrário da despensa e da cama de campanha em que dormia, na casa do irmão. Noah sentiu o cheiro da fêmea, assim que ela tomou banho. Algo, anteriormente, o encobria, mas ele percebeu, mesmo bem fraco e o banho tirou o que estava cobrindo o cheiro. “ Ela não deve ter sentido o meu cheiro, por causa do cordão e não me reconheceu. Fiz essa proteção, para não ser reconhecido, pois caso ela aparecesse, eu reconheceria-a primeiro e poderia rejeitá-la. Agora, só preciso saber como é sua forma humana.” Pensou Noah. Foi para o seu quarto, que ficava ao lado do quarto onde sua fêmea estava e depois de um banho, dormiu, como não dormia há muito tempo. Ter uma companheira, fazia toda a diferença. Ainda precisava acasalar, mas não o faria tão rapidamente, conheceria-a primeiro.






