Capítulo 2. Procura
Lucas não sossegou e com muita raiva, reuniu seus amigos e de madrugada, saiu para procurar Lorena. Seguiu o GPS do celular e encontrou-o no lugar de sua transformação, embora ele não soubesse.
Sentiu o cheiro do Alfa e perguntou:
— Armand, esse cheiro é do Alfa, sabe identificar quem está com ele? — perguntou ao seu amigo mais próximo.
— É a equipe do Beta Normam. Ele sempre acompanha o Alfa nas noites de lua cheia, quando não tem festa.
A festa de Lua cheia era costume dos lobisomens, quando havia algum jovem candidato à transformação. Mas nesta noite específica, não havia ninguém e com o tempo instável, a festa foi cancelada.
— Será que ele encontrou Lorena?
— Se encontrou, você tá lascado, Beta Lucas. — rosnou Calil, outro dos amigos de Lucas, que era contrário a maneira como o Beta tratava a irmã.
— Quer morrer, condenado? — perguntou Lucas e deu-lhe um tapa na nuca.
— Vamos seguir o rastro deles. — sugeriu Arthur, tentando conter Lucas.
Seguiram o rastro até a clareira onde o Alfa havia parado e a loba de Lorena havia se alimentado.
— Pararam aqui para alguém comer, mas parece uma loba e não uma humana. Você não disse que sua irmã não tem loba?
— Sim, ela nunca se transformou.
— Então tem outra fêmea com eles. Vamos continuar, pelo jeito, estão indo para a casa do Alfa. — disse Armand.
Foram parados pelos guardas, ao chegarem ao portão de entrada da casa, se identificaram e Lucas informou:
— Minha irmã sumiu e estou no rastro dela. Apareceu alguma fêmea nova, por aqui, hoje.
— Sim, chegou, mas disseram que é uma desgarrada, está muito desnutrida e arredia.
— Uma loba? — perguntou Calil, desconfiado.
— Sim, uma Alfa e é bem grande.
— Obrigado, mas não deve ser a minha irmã. De qualquer maneira, vou esperar e falar com o Alfa, comunicar o sumiço dela.
Em sua mente, Lucas pensou que, primeiro, teria que comunicar ao Alfa, que tinha uma irmã, e justificar o porquê não a apresentou ao Alfa. Supôs que receberia uma boa reprimenda, por ter ocultado tal informação, mas julgava ter uma boa desculpa, afinal, ela era, praticamente, humana.
— Como já amanheceu, ele deve estar acordando, não é muito de dormir. Entre e espere na sala. — permitiu o guarda, reconhecendo o Beta, líder da guarda da área norte.
Todos na Alcateia tinham o costume de deixar suas casas sempre abertas para quem precisasse, assim, eles abriram a porta e sentaram-se no sofá da sala, para esperar.
A casa do Alfa era quase um castelo. Com uma arquitetura renascentista, notava-se bem a dimensão e distribuição de cada setor da mansão, que era dividida em quatro partes e no centro havia um pátio com jardim de inverno.
A governanta sentiu o cheiro dos lobos e veio da cozinha para os cumprimentar:
— Bom dia, o Alfa ainda não desceu.
— Bom dia, Dalva. Nós temos um assunto para tratar com ele, vamos esperar. — disse Lucas, familiarizado com a governanta.
— Está bem, Beta Lucas. Estarei na cozinha, ajudando com o café da manhã.
Retirou-se ela, no momento em que Lorena resolveu aparecer, descendo correndo pelas escadas para fugir da casa e deparou-se com o grupo na sala. Ela pretendia escapar antes que percebessem. Com a transformação de sua loba, o selo que prendia sua magia, quebrou e ela podia usá-la. Foi assim que abriu a porta do quarto e saiu.
Lucas foi o primeiro a sentir a presença da irmã, levantou-se rapidamente e com alguns passos largos subiu os degraus, chegou nela e a agarrou pelo pescoço com apenas uma das mãos. Terminou de descer as escadas, arrastando-a, sem lhe dar a chance de se defender.
— Pare, Lucas, está me machucando. — resmungou ela, engasgando.
— Sua safada, sem vergonha, veio se jogar na cama do Alfa. Quem você pensa que é? — jogou-a no chão, com força.
Os amigos se ergueram e cercaram os dois, só Calil se preocupou com ela e tentou amenizar a situação.
— Calma, Lucas, escuta ela primeiro.
Lucas pousou o pé sobre ela e a sacudiu, pronto para a chutar em seguida, mas…
Um rosnado forte e cavernoso, estremeceu as janelas e quase derrubou o lustre. Todos olharam para o topo da escada e viram o imenso lobisomem, parado em atitude de ataque, olhando para Lucas.
— SOLTE!
— Desculpe, Alfa, ela é minha irmã, não devia ter invadido su…
Lucas não conseguiu terminar a frase, o lobisomem pulou e Lucas, para se livrar de suas garras, chutou a irmã na direção dele e pulou para longe. Noah segurou Lorena, que parecia uma folha de papel, de tão pálida e mole.
Voltando à forma humana, levou-a no colo e pousou-a no sofá. Recebeu uma calça jeans de um dos seus, vestiu e só então, falou com Lorena.
— Você está bem?
— Sim, Alfa.
— Quem é você?
— Meu nome é Lorena Rouhan e sou irmã mais nova do Beta Lucas.
Noah rosnou baixo, irritado com o novo Beta, que desde que chegou, só queria saber de diversão. Fazia o serviço de qualquer maneira, para logo cair na esbórnia com seu novo grupo de amigos.
Resolveu ter paciência. Sentou-se ao lado de Lorena no sofá e colocou-a em seu colo. Ela parecia muito pequena, sentada em suas coxas, encostada em seu peito e amparada por seu enorme braço musculoso.
— Sente-se, Lucas e conte sua história.
Lucas sentou-se na poltrona mais distante e não gostou de ver sua irmã no colo do Alfa, como se fosse um bichinho de estimação. Sentiu-se humilhado e a sensação se refletiu em seu rosto.
— Meus pais morreram quando Lorena tinha doze anos e tive que cuidar dela sozinho. Ela não se transformou quando chegou a idade certa e por isso, mantive ela sempre em casa, escondida.
— Você quer dizer que a fez de escrava para cuidar de você. Por quê não me apresentou ela, assim que chegaram?
— Fiquei com vergonha…
— Vergonha? Será que não sabe que o Alfa precisa chamar os lobos, para que eles saiam? Se ela não passou pelo ritual adequado, foi por isso que não se transformou. Você é um idiota, por acaso?