Capítulo 6. Minha

Noah segurou o pulso de Lorena e a guiou até a mesa, puxando sua cadeira e sentando-se com ela em seu colo.

— Eu posso comer sozinha, Alfa. — disse ela, encabulada.

Todos os filhotes cresciam vendo os machos, acasalados, alimentando suas companheiras dessa forma. Porém, o Alfa ainda não a tinha reconhecido e não era correto.

Ele aproximou a boca de sua orelha e falou:

— Minha!

Ela se empertigou, enrijecendo o corpo e olhando para ele, surpresa.

— Meu! Mas você não queria que eu ou os outros soubessemos…

— Sim, pela sua aparência, considerei-a fraca e tive receio de que não desse conta. — confessou ele — Mas como soube que sou seu companheiro? — perguntou ele, franzindo a testa.

— A questão não é essa e sim, porque mudou de opinião, foi só por causa da minha aparência?

Ele tirou o cordão do pescoço e ela sentiu o cheiro profundo de eucalipto e baunilha, uma mistura refrescante e adocicada ao mesmo tempo e que a encantou. Ela fechou os olhos, inspirando profundamente o aroma e se apaixonou.

— Meeeu, deliciosamente, meeeu…

— Sim, é o que sinto quando seu aroma penetra em minhas narinas e percorre tofo o meu corpo., enchendo-me da mais deliciosa necessidade de satisfação. Estou apaixonado.

Ele a beijou mais uma vez e ela correspondeu, aprendendo com ele esta arte tão deliciosa. Sentia seu corpo, cada vez mais, pedindo pelo dele.

— Arhan, arhan…

Dalva alertou aos dois que, afastaram-se a tempo de não serem pegos em desfrute. Um macho alto e forte entrou na sala e percebeu a fêmea sentada no colo do Alfa e o colar sobre a mesa. Era Normam, que conhecia bem a história do colar e da fêmea.

— Então, é certo? Ela é sua companheira e você a aceitou? — perguntou com ignorância.

— Sossega, Normam, estamos nos conhecendo. — respondeu o Alfa, quase soltando sua aura de poder em represália a falta de compostura de seu Beta.

— Sim, Normam. Ainda não decidi se o aceito ou rejeito. Aliás, obrigada por cuidar de mim. — disse ela, atrevidamente.

Ela sorriu para Normam e Noah rosnou, enciumado. Olhou feio para o amigo que percebeu que chegou ao limite e achou meljor ser mais suave. Fez a última provocação.

— Parece que o Alfa não permitirá que você o rejeite. Com todo esse ciúme, a mimará e fará todas as suas vontades para que você não queira ir embora nunca mais. — disse Normam, rindo e contemplando a comida posta na mesa.

Encheu o prato que fez gosto a Dalva. ela adorava ver eles se alimentando bem.

— Por quê você não enche a boca de comida e fica calado? — reclamou Noah e começou a servir o prato de Lorena.

Permaneceram calados, apreciando a comida que estava excelente. Lorena ficou calada, torcendo para ele esquecer a pergunta que fez sobre ela o reconhecer como companheiro. Queria adiar ao máximo, ter que contar sobre suas origens.

Ao terminarem a refeição, foram para a sala e Noah perguntou a Normam como estavam as plantações.

— Nada bem, Noah. Não identificamos o que está fazendo as plantas definharem. Existe apenas um campo que está resistindo, achamos que é a água.

Lorena ficou curiosa e perguntou:

— Como assim? As plantas nascem e definham?

Ela tinha descido do colo do Alfa, colocando-se de pé e andando de cá prá lá com as mãos na cintura. Sentia-se como um bichinho de estimação, no colo do Alfa. Sendo ele tão grande, ela quase sumia em seus braços.

— Exatamente. O milharal cresceu e murchou antes de formar as espigas. O campo de soja ficou parecendo hortaliça rasteira e parecia pasto e sem falar nas verduras. Se continuar assim, vamos passar fome. — explicou Normam, sem conseguir ficar calado.

Noah não gostou que Lorena ficasse sabendo desse assunto, não era da alçada dela.

— Não se preocupe com isso, Lorena, daremos um jeito.

— Me parece que não estão nem sabendo como investigar.

— Bem, achamos que é a água. Só a plantação irrigada com a água que vem direto da nascente, que está prosperando.

— E de onde vem a água que irriga as outras plantações? — perguntou ela, já tendo uma ideia do que poderia ser.

— De poços artesianos. — respondeu o Alfa.

— Vocês não têm uma bruxa na Alcateia?

Os dois machos se olharam, sérios e pareciam não querer falar.

— O quê? Não vão falar? Posso descobrir de outra forma.

— Sim, nós temos um bruxo, mas ele foi exaurido de sua magia. Um trio de bruxos esteve aqui há alguns meses atrás e nos chantageou. Querem viver na Alcateia e gozar de todas as mordomias possíveis, além de uma boa soma em dinheiro, em troca de proteção. É claro que não aceitamos e aí está a consequência.

— Entendi… amanhã quero ver o bruxo adoecido. Aprendi algumas receitas com a minha mãe.

Mais uma vez os dois machos se olharam e pareciam falar sem palavras, concordando que não seria um cházinho ou xarope, que curaria o bruxo. Mas concordaram em levá-la lá.

— Está bem, amanhã te levo para conhecer a Alcateia.

— Certo. Podemos ver o meu irmão?

— Você tem certeza de que quer ver aquele traste?

— Sim, quero. Ele não tem culpa de ter absorvido as práticas do Alfa Gusmão. Além disso, ele tem uma companheira que pode ajudá-lo se o aceitar.

— Isso é novidade. Vamos lá, depois você me fala sobre essas tais práticas…

Despediram-se de Normam e foram até o prédio dos cárceres. Era uma construção simples, mas quando entraram, Lorena percebeu que as celas ficavam um piso abaixo do térreo e era bem extenso.

À medida que desciam as escadas, ouviram vozes e Noah pediu a ela que fizesse o máximo de silêncio e conforme identificou o que diziam e de quem eram as vozes, admirou-se e paralisou.

Neste instante, o Alfa Noah, terminou de descer as escadas, batendo palmas, e os dois olharam para ele assustados, temendo ser mortos naquele momento.

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