Mundo de ficçãoIniciar sessãoNoah segurou o pulso de Lorena e a guiou até a mesa, puxando sua cadeira e sentando-se com ela em seu colo.
— Eu posso comer sozinha, Alfa. — disse ela, encabulada. Todos os filhotes cresciam vendo os machos, acasalados, alimentando suas companheiras dessa forma. Porém, o Alfa ainda não a tinha reconhecido e não era correto. Ele aproximou a boca de sua orelha e falou: — Minha! Ela se empertigou, enrijecendo o corpo e olhando para ele, surpresa. — Meu! Mas você não queria que eu ou os outros soubessemos… — Sim, pela sua aparência, considerei-a fraca e tive receio de que não desse conta. — confessou ele — Mas como soube que sou seu companheiro? — perguntou ele, franzindo a testa. — A questão não é essa e sim, porque mudou de opinião, foi só por causa da minha aparência? Ele tirou o cordão do pescoço e ela sentiu o cheiro profundo de eucalipto e baunilha, uma mistura refrescante e adocicada ao mesmo tempo e que a encantou. Ela fechou os olhos, inspirando profundamente o aroma e se apaixonou. — Meeeu, deliciosamente, meeeu… — Sim, é o que sinto quando seu aroma penetra em minhas narinas e percorre tofo o meu corpo., enchendo-me da mais deliciosa necessidade de satisfação. Estou apaixonado. Ele a beijou mais uma vez e ela correspondeu, aprendendo com ele esta arte tão deliciosa. Sentia seu corpo, cada vez mais, pedindo pelo dele. — Arhan, arhan… Dalva alertou aos dois que, afastaram-se a tempo de não serem pegos em desfrute. Um macho alto e forte entrou na sala e percebeu a fêmea sentada no colo do Alfa e o colar sobre a mesa. Era Normam, que conhecia bem a história do colar e da fêmea. — Então, é certo? Ela é sua companheira e você a aceitou? — perguntou com ignorância. — Sossega, Normam, estamos nos conhecendo. — respondeu o Alfa, quase soltando sua aura de poder em represália a falta de compostura de seu Beta. — Sim, Normam. Ainda não decidi se o aceito ou rejeito. Aliás, obrigada por cuidar de mim. — disse ela, atrevidamente. Ela sorriu para Normam e Noah rosnou, enciumado. Olhou feio para o amigo que percebeu que chegou ao limite e achou meljor ser mais suave. Fez a última provocação. — Parece que o Alfa não permitirá que você o rejeite. Com todo esse ciúme, a mimará e fará todas as suas vontades para que você não queira ir embora nunca mais. — disse Normam, rindo e contemplando a comida posta na mesa. Encheu o prato que fez gosto a Dalva. ela adorava ver eles se alimentando bem. — Por quê você não enche a boca de comida e fica calado? — reclamou Noah e começou a servir o prato de Lorena. Permaneceram calados, apreciando a comida que estava excelente. Lorena ficou calada, torcendo para ele esquecer a pergunta que fez sobre ela o reconhecer como companheiro. Queria adiar ao máximo, ter que contar sobre suas origens. Ao terminarem a refeição, foram para a sala e Noah perguntou a Normam como estavam as plantações. — Nada bem, Noah. Não identificamos o que está fazendo as plantas definharem. Existe apenas um campo que está resistindo, achamos que é a água. Lorena ficou curiosa e perguntou: — Como assim? As plantas nascem e definham? Ela tinha descido do colo do Alfa, colocando-se de pé e andando de cá prá lá com as mãos na cintura. Sentia-se como um bichinho de estimação, no colo do Alfa. Sendo ele tão grande, ela quase sumia em seus braços. — Exatamente. O milharal cresceu e murchou antes de formar as espigas. O campo de soja ficou parecendo hortaliça rasteira e parecia pasto e sem falar nas verduras. Se continuar assim, vamos passar fome. — explicou Normam, sem conseguir ficar calado. Noah não gostou que Lorena ficasse sabendo desse assunto, não era da alçada dela. — Não se preocupe com isso, Lorena, daremos um jeito. — Me parece que não estão nem sabendo como investigar. — Bem, achamos que é a água. Só a plantação irrigada com a água que vem direto da nascente, que está prosperando. — E de onde vem a água que irriga as outras plantações? — perguntou ela, já tendo uma ideia do que poderia ser. — De poços artesianos. — respondeu o Alfa. — Vocês não têm uma bruxa na Alcateia? Os dois machos se olharam, sérios e pareciam não querer falar. — O quê? Não vão falar? Posso descobrir de outra forma. — Sim, nós temos um bruxo, mas ele foi exaurido de sua magia. Um trio de bruxos esteve aqui há alguns meses atrás e nos chantageou. Querem viver na Alcateia e gozar de todas as mordomias possíveis, além de uma boa soma em dinheiro, em troca de proteção. É claro que não aceitamos e aí está a consequência. — Entendi… amanhã quero ver o bruxo adoecido. Aprendi algumas receitas com a minha mãe. Mais uma vez os dois machos se olharam e pareciam falar sem palavras, concordando que não seria um cházinho ou xarope, que curaria o bruxo. Mas concordaram em levá-la lá. — Está bem, amanhã te levo para conhecer a Alcateia. — Certo. Podemos ver o meu irmão? — Você tem certeza de que quer ver aquele traste? — Sim, quero. Ele não tem culpa de ter absorvido as práticas do Alfa Gusmão. Além disso, ele tem uma companheira que pode ajudá-lo se o aceitar. — Isso é novidade. Vamos lá, depois você me fala sobre essas tais práticas… Despediram-se de Normam e foram até o prédio dos cárceres. Era uma construção simples, mas quando entraram, Lorena percebeu que as celas ficavam um piso abaixo do térreo e era bem extenso. À medida que desciam as escadas, ouviram vozes e Noah pediu a ela que fizesse o máximo de silêncio e conforme identificou o que diziam e de quem eram as vozes, admirou-se e paralisou. Neste instante, o Alfa Noah, terminou de descer as escadas, batendo palmas, e os dois olharam para ele assustados, temendo ser mortos naquele momento.






