Capítulo 4. Tropa de Choque

Dalva não resistiu e riu abertamente, provocando um rosnado de raiva de Lídia.

— Não me provoque, Dalva!

— Ou o quê? Vai puxar meus cabelos e me obrigar a rolar no chão com você, como faz com as outras fêmeas? — provocou-a Dalva.

— Você não parou com isso, Lídia? — perguntou Noah.

— São elas que me provocam.

— É isso que você quer fazer comigo? Acho bom, então, eu comer mais mingau. — disse Lorena, provocando mais risadas de Dalva, que, imediatamente, serviu mais mingau a ela.

— Nossa, como você come. Deve estar faminta, mesmo. — comentou Lidia, observando melhor a fêmea ousada.

Viu que estava muito magra, com os cabelos maltratados, unhas quebradas como se tivesse passado anos fazendo limpeza de casa. Suas roupas estavam puídas e encardidas e teve pena.

— Quer que eu cuide dela, Alfa? Posso ser sua Pigmalião.

— Não há necessidade, do jeito que te conheço, você tentará humilhá-la, fingindo estar ajudando. Dalva fará isso. Por agora, quero que avise na Alcateia que estou com uma hóspede e não quero visitas.

— Nossa, que marra…

— Também não quero mais você aqui, entendeu?

Lídia não gostou, mas resolveu ficar quieta, até descobrir o que estava acontecendo. O Alfa saiu, mas ela ficou e perguntou:

— Quem é ela, Dalva? Por quê está tão maltratada?

— É irmã do novo Beta, o Lucas, que está preso por a ocultar de todos.

— Oh, não, não pode ser, a deusa não faria isso comigo. — sussurrou Lídia, mas Dalva e Lorena escutaram com sua audição lupina.

Lidia saiu do jeito que chegou, como um furacão.

— O que será que está acontecendo?

— Ela é companheira do meu irmão, mas não aceita. Eu também não aceitaria.

— Você é danadinha. Tem uma aparência frágil, mas sabe muito bem se defender. Só não entendo porque você não se defendeu do seu irmão.

— Eu não tinha minha loba e ele não deixava eu comer e me batia muito, me mantendo sempre fraca.

— Que horror, como ele pôde fazer isso com a própria irmã?

— Era a prática do Alfa de nossa Antiga Alcateia. Humanos, fêmeas e ômegas só serviam para trabalhos caseiros e pesados.

— Aqui não é assim, você será muito bem tratada e pelo que ouço, minha tropa de choque já está chegando. Termine logo.

— Tropa de choque?

— Sim, chamei algumas fêmeas especialistas em transformação, que vão cuidar muito bem de você.

Lorena não disse que podia cuidar de si mesma. Bastaria um estalar de dedos e estaria novinha em folha, mas denunciaria sua magia, então ficou quieta, recebendo o que lhe era dado.

Logo, quatro fêmeas entraram pela porta da cozinha e chegaram à sala de jantar. Antes mesmo de cumprimentarem Dalva, olharam para Lorena e lamentaram sua aparência tão desgastada.

— Pobrezinha, bem que você falou, Dalva, que era um super trabalho. — disse a cabeleireira Leila.

— Olha essas unhas? Parece que nunca viram uma manicure. — disse Cássia, a manicure.

— Olhando as sobrancelhas, fico imaginando como está a floresta lá embaixo… — disse Dirce, a depiladora, provocando riso em todas.

Dalva apresentou todas a Lorena e levou-as para um quarto na ala oeste da mansão, no primeiro andar, que era reservado para esse tratamento. O Alfa achou bom, ter um local especial para quando dava suas festas e os convidados ficavam hospedados na mansão, assim suas companheiras tinham onde se arrumar.

— Que comecem os trabalhos!

O dia foi cheio para Lorena e trabalhoso para a equipe da “reforma”, mas valeu a pena. A transformação foi um sucesso: os cabelos receberam um novo corte, hidratação e modelagem, caindo ondulados, pelas costas. As unhas foram manicuradas e pintadas.

Todo o corpo foi depilado, sobrancelhas desenhadas e por fim, recebeu um banho medicinal com esfoliação e uma boa massagem, que deixou sua pele branca, sedosa e macia.

No meio da tarde, chegaram várias araras com roupas de todos os tipos e modelos e Lorena pode escolher o que mais gostava e lhe era confortável.

Todas admiraram o resultado do trabalho conjunto e aplaudiram o que viam.

— Você está linda, querida! Agora, ninguém mais ousará te humilhar. — disse Dalva.

— Pelo visto, Lídia já passou por aqui…— comentou Dirce, que conhecia bem a peste.

— Você conhece a peça. — respondeu Dalva.

— Talvez você possa nos dizer quem é ela, finalmente, Dalva. — questionou Cássia, a manicure.

— Sou a irmã mais nova do Beta Lucas. — respondeu Lorena, no lugar de Dalva.

Todas arregalaram bem os olhos e escancararam as bocas, de surpresa. Nenhuma emitiu som algum, estarrecidas com o estado em que estava a pobre garota. Agora, era uma mulher linda, apesar de ainda muito magra, e ficaram sem entender a atitude do Beta.

— Mas porque ele a tratou tão mal?

— Eu não me transformei quando fiz 16 anos. Então ele pensou que eu era uma Ômega e na nossa antiga Alcateia, as ômegas só servem para ser criadas da família. — Justificou o irmão, não querendo incentivar a maledicência.

— Que crueldade…

Todas estavam a comentar sobre a maldade do Beta Lucas, então Dalva às informou que ele estava devidamente preso e seria punido pelo que fez a irmã.

— O Alfa ficou furioso por Lorena não ter sido apresentada. Ela foi encontrada na floresta, tão desnutrida e ferida, que foi tomada como uma desgarrada e quase foi morta pelos nossos guardas.

— Se eles conseguissem matar, pois ouvi dizer que encontraram uma Alfa. Será a companheira de Noah? — conjecturou Leila.

Dalva se preocupou com o excesso de falação e tratou de dispensar toda a equipe, agradecendo a todas e dando uma cesta de produtos de presente para cada uma.

— O trabalho está encerrado e muito bem feito, vamos nos dispersar e continuar nosso dia que ainda não terminou. Muito obrigada meninas, o trabalho de vocês com certeza será percebido e bem pago.

Todas se despediram e Lorena foi até a porta, levá-las, acenando e percebendo que outras pessoas estavam por perto e olhavam para ela, admirados.

— Venha comer, Lorena, você precisa fortalecer seu corpo, para sua loba poder correr à vontade.

— Tenho que fazer uma coisa esta noite, Dalva. Você pode preparar um lanche para eu comer depois, posso correr o risco de passar mal, se comer antes.

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