O rugido de Kael atravessou o mundo como uma lâmina.
Não era som.
Era vibração, carne e gelo se partindo.
Era o chamado do que dormia.
As montanhas responderam primeiro.
As geleiras tremeram, rachando como espelhos sob peso divino.
Depois vieram os lobos — centenas, milhares — uivando em coro, num lamento que misturava dor e reverência.
E, por fim, o próprio chão abriu os olhos.
Do ventre da terra brotaram sombras — antigas, pesadas, com cheiro de ferro e neve.
Feras moldadas de lembrança e san