Lena Aris
O plano era perfeito, alguns dias de reclusão, silêncio e o conforto da minha cama King Size enquanto eu encenava o papel da herdeira fragilizada. Eu queria que o mundo, e principalmente Simon Kaelen, acreditasse que eu era apenas uma sombra dopada por remédios. Mas o mundo real não espera o teatro acabar.
À medida que os relatos das mudanças drásticas na Thorne chegavam até mim, a inércia se tornou impossível. Tive que saltar dos lençóis sob os protestos fervorosos de Maeve. Ela reclamava, pedia, quase implorava para que eu ficasse, mas o descanso tinha acabado. Naqueles dias, transformei meu quarto em um bunker: coloquei os trabalhos da faculdade em ordem e elaborei relatórios complexos, sentindo o peso do legado do meu pai desmoronar a cada notícia de uma nova demissão.
Voltei ao estágio. Minha presença técnica ali não mudava o curso das águas, eu sabia, mas eu precisava estar no olho do furacão.
— O que ele pretende com isso? — murmurei para as paredes de vidro do escrit