CAPÍTULO 107
Quando a ferida não pede consolo, pede guerra.
O carro avançava pela avenida como se fugisse de um incêndio. Alinna tremia no banco de trás, o rosto afundado entre as mãos. Jarbas, ao volante, lançava olhares aflitos pelo retrovisor.
— Minha menina… — a voz dele saiu quebrada. — Me conta. O que aconteceu lá dentro?
Ela não respondeu de imediato. As lágrimas eram tantas que escorriam pelo pescoço, borravam a gola de seda. Só depois de longos segundos, ergueu o rosto, os olhos vermelhos, a respiração em soluços.
— Eu não aguento mais, tio. — murmurou. — Eu não sou piranha, eu não sou…
— Claro que não é. — Jarbas rebateu com firmeza, batendo a mão no volante. — Não deixa as palavras de verme entrarem na sua cabeça.
— Ele mostrou… — a voz dela falhou. — Ele mostrou… imagens minhas… com o Caio…
Jarbas ficou em silêncio. Apertou o volante com força, como se pudesse esmagar o mundo inteiro entre os dedos.
— Quem foi que ousou isso com você? — perguntou, num fio de voz baixo, mas