CAPÍTULO 155
A lealdade que sangra
CAIO MOREAU BASTIEN
— Pra França. — falei, decidido. — Transfere ela pra filial da empresa lá. Diz que é emergência, diz que é estratégia. Eu não me importo com a desculpa. Só quero que ela vá.
— Você enlouqueceu? — ele se levantou, andando de um lado para o outro. — Ela nunca vai aceitar.
— Então inventa. — rebati, firme. — Arruma um jeito. Mas tira ela daqui.
Lucas parou, me encarando.
— Você tá pedindo pra mim levar a mulher da sua vida pra longe de você.
— Eu tô pedindo pra salvar ela de mim. — respondi, sentindo a voz falhar. — Você não ouviu o médico? Eu não vou mais levantar. Não posso dar a ela o que ela merece. Eu não vou prender a mulher que eu amo numa vida de cuidar de inválido.
— Para, Caio. — Lucas disse, a voz carregada de dor. — Você é forte, pode se recuperar. A medicina não é exata.
— Não foi isso que disseram. — cortei, seco. — O diagnóstico foi definitivo. Eu não vou enganar a mim mesmo.
Lucas passou a mão pelos cabelos, nervoso.