CAPÍTULO 145
Quando um passo vira abismo
CAIO MOREAU BASTIEN
Lucas não estava. Alinna também não. Só os enfermeiros e o substituto, pontual, impecável no jaleco branco.
— Bom dia. — disse Nicola, como se fosse apenas mais uma manhã.
Eu o encarei com frieza.
— Vamos acabar logo com isso.
Ele assentiu, ajustando os cintos no meu tronco, preparando as barras paralelas.
— Hoje quero que tente ficar em pé por mais tempo.
As palavras ecoaram como desafio. Segurei firme as barras, respirei fundo e, com ajuda, ergui o corpo. Por um instante, parecia que ia conseguir. Mas então veio a falha. A perna direita cedeu como se fosse de papel. A esquerda, morta. Senti o impacto da queda no quadril, a dor subindo em espasmo.
— Merda! — gritei, caindo pesado no chão.
Dois enfermeiros correram para me levantar. Nicola ficou parado, observando. Não havia surpresa em seus olhos. Havia… satisfação.
— Calma. — disse ele, sem pressa. — O corpo está reagindo ao estímulo.
— Reagindo? — cuspi a palavra. — Eu n