CAPÍTULO 137
Quando a culpa veste a minha pele
CAIO MOREAU BASTIEN
A madrugada tem um jeito cruel de nos despir. Os barulhos do hospital diminuem, as vozes somem, e o que fica é a respiração dos aparelhos, esse pêndulo mecânico que me diz: você ainda está aqui. Eu gostaria de acreditar que isso basta.
Eu tento mover os pés. Primeiro o esquerdo. Nada. Depois o direito. Um formigamento tímido. O médico falou em chances, em tempo, em fisioterapia. Palavras compridas quando a alma está curta de