CAPÍTULO 138
Quando a luta começa dentro de mim
CAIO MOREAU BASTIEN
Quinze dias. Foi o tempo que os médicos disseram que eu precisava antes de enfrentar a primeira avaliação de fisioterapia. Quinze dias em que meu corpo esteve preso a essa cama, lutando contra a dor, contra o peso nas costas e, principalmente, contra a própria mente.
Quinze dias em que, toda vez que eu acordava, olhava para a cadeira ao lado e a encontrava vazia. Eu perguntei uma vez, e a enfermeira respondeu com um sorriso vago: “Ela está por aqui, senhor.” Nunca a vi, mas sentia. Como se a ausência fosse, na verdade, presença disfarçada.
Agora, olhando para o teto, o zumbido dos aparelhos no quarto é a única música que me acompanha. O silêncio me sufoca. Respiro fundo e viro o rosto para Lucas, que está sentado em uma poltrona, lendo algum relatório que não me interessa.
— Lucas… — minha voz sai rouca. — A Alinna não tem vindo me ver?
Ele ergue os olhos, me encarando em silêncio por alguns segundos. Depois fecha