A FUGA DA DIVORCIADA: Virei babá da filha do Miliciano
A FUGA DA DIVORCIADA: Virei babá da filha do Miliciano
Por: Anitta Ortiz
1. FUGINDO DO MARIDO ABUSIVO

Meu marido tentou me destruir.

Mas fui eu quem decidiu DESTRUÍ-LO primeiro.

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O tapa veio tão forte que meu corpo foi lançado contra as cadeiras de madeira.

Por um segundo, tudo girou.

Minha bochecha queimava. O gosto de sangue invadiu minha boca.

Mas a dor já não era novidade.

Não depois de todos aqueles anos apanhando.

— Você é um cretino, George — cuspi, encarando-o.

Ele avançou, segurando meu queixo com força, me obrigando a levantar o rosto.

— Você pertence a mim, Susan. A mim. Tá ouvindo?

Meu coração batia rápido.

Mas não de medo.

Não mais.

— Eu nunca fui sua — sustentei o olhar — e nunca vou ser.

Cuspi na cara dele.

— Vagabunda — ele me deu outro bofetão.

— Você vai arder no inferno, George.

— Vou arder, é? Se eu for, Susan… te levo comigo.

Como se nada tivesse acontecido, ele voltou para a mesa.

O prato já estava remexido. Ele tinha comido bastante.

Observei o jeito como mastigava a carne, a gordura sujando os cantos da boca.

Tudo nele era asqueroso.

Quinze anos.

Quinze anos aguentando aquilo em silêncio.

Que mulher suportaria?

Que mulher não faria o que eu fiz?

Oh, Deus… espero que me perdoe.

Acuada no canto, como um animal, esperei.

George comia.

Comia.

E nada acontecia.

Até que, de repente, seus movimentos desaceleraram.

A gola da camisa pareceu apertar. Ele começou a suar.

Mas não estava calor.

O silêncio que veio depois foi pesado.

George fechou os olhos, respirando fundo, como um animal tentando se controlar antes de atacar.

— Você… fez alguma coisa, Susan? — a voz saiu rouca.

— Eu? — fingi confusão. — Do que você está falando?

Ele jogou o prato longe. A louça se espatifou no chão.

Eu dei um grito.

— Você vai se arrepender disso…

Ao se levantar, derrubou o restante da mesa.

Se apoiou na toalha para não cair.

Meu coração acelerou.

Finalmente.

Aos poucos, algo crescia dentro de mim.

Meu marido violento… estava tendo o que merecia.

Me levantei.

Ainda doía. Por fora… e por dentro.

Anos de violência não desaparecem de repente.

— Vou? — sorri, sentindo algo sombrio tomar conta de mim — tem certeza?

Ele franziu a testa, confuso.

— O que… o que está acontecendo?

Inclinei levemente a cabeça.

— Não sei… o que será?

As lágrimas ainda escorriam pelo meu rosto.

Eu não queria ser aquilo.

Mas foi ele quem me transformou.

E, naquele momento… eu não sentia culpa.

— Eu… tô ficando fraco… — ele tentou se aproximar.

Dei um passo para trás.

— Fraco? — murmurei — você parecia tão forte até agora…

Os olhos dele se arregalaram.

— O que você colocou na comida?

Eu ri baixo.

— Eu?

Olhei para a mesa destruída.

Depois, para ele.

— Talvez eu tenha exagerado no tempero… meu amor.

Ele levou a mão à garganta, desesperado.

Agora parecia um peixe fora d’água.

Fraco.

Patético.

— Sua… va… ga…

— Eu o quê? — levei a mão ao ouvido — fala direito, George.

— Su… Susan… você… não vai… sair impune…

— Tá difícil falar, né? — sussurrei, me aproximando — meu doce marido.

Qualquer pessoa desejaria ver seu algoz cair.

E ele caiu.

Aquele homem enorme… agora estava no chão.

Indefeso.

Ofegando.

Apagando.

Ajoelhei ao lado dele.

— Eu não vou te matar, George.

Me inclinei até seu ouvido.

— Quero que você viva o suficiente para sofrer.

Os olhos dele estavam quase se fechando.

Perfeito.

Exatamente como eu queria.

— Mas se você morrer… espero que o diabo frite sua cabeça em óleo quente.

Então desabei em lágrimas.

Mas não havia tempo para culpa.

Eu precisava fugir.

A qualquer momento, algum capanga dele apareceria.

E então… eu estaria morta.

Me levantei sem olhar para trás.

Corri até o quarto.

A mala já estava pronta — documentos falsos, dinheiro, uma nova identidade.

Eu tinha planejado tudo.

Cada detalhe.

Eu não seria mais Susan.

A partir de agora… eu era Rose.

Um novo nome.

Uma nova vida.

Um novo destino.

Já tinha até conseguido um emprego do outro lado do país.

Babá da filha de um homem muito rico.

Sem violência.

Sem medo.

Sem George.

Saí pelos fundos.

Cada segundo contava.

Eu só precisava alcançar a estrada.

O motorista já devia estar me esperando.

— Chefe… — ouvi gritos vindos da casa — o que fizeram com ele?!

Meu corpo inteiro gelou.

Apertei o passo.

— Ei! — alguém gritou — Susan! Foi você?!

Comecei a correr.

Meu pulmão queimava.

“Corra, filha… apenas corra…”

A voz da minha mãe ecoou na minha mente.

“Eles vão me pegar…” pensei, desesperada.

“Não vão. Deus está com você.”

Aquilo me deu força.

Corri.

Atravessei o mato, os arbustos.

Ouvi passos atrás de mim.

Homens.

E então…

Os latidos. Eram cãe. George tinha muitos cãe.

Meu coração quase parou ao ouvir o som se aproximar.

— Volta, Susan! — gritaram — a gente vai te pegar!

Tropecei em uma cerca caida no chão. Senti um corte arder no tornozelo.

Mas levantei e contineui rumo ao asfalto.

Eu não ia parar.

Mesmo que morresse…

ia ser tentando.

Os latidos dos cães ficavam cada vez mais próximos. Mais ferozes.

Eu já previa eles me apanhando e eu sendo morta.

Parecia que a estrada nunca chegaria, que a Luz do poste se distanciava ao inves de se aproximar.

Até que, de repente, meus pés tocaram o asfalto. A floersta ficou para trás.

Eu tinha chegado.

Olhei rapidamente para o lado e vi o carro, parado com o pisca-alerta ligado.

— Aqui! — gritei, acenando desesperada — por favor!

Eles estavam muito perto de me alcançar.

Perto demais.

Corri o mais rápido que consegui em direção ao veículo.

Um dos cães avançou e quase alcançou minha perna. Soltei um grito, mas não parei.

Não podia parar.

O carro deu ré e freou bruscamente ao meu lado. O pneu cantou e soltou fumaça.

Abri a porta com dificuldade e praticamente me joguei para dentro.

— Merda — o motorista reclamou — você não disse que era uma fuga!

— Por favor — implorei, ofegante — só dirige! Pra bem longe. VAI!!!

Os homens já estavam quase alcançando o carro.

O motorista  hesitou. 

Por um segundo. Ele processava os desfechos. E meu destino estava nas mãos dele.

Um único segundo que pareceu uma eternidade.

Então me puxou com força, fechou a porta do carro e arrancou em alta velocidade.

Um dos capangas de George bateu no vidro. Outro apontou a arma.

Os disparos ecoaram dorte. Iiluminou o carro. Mas nenhum atingiu o veículo.

Olhei para trás, com o coração disparado, e vi os homens e os cães ficando cada vez mais distantes. 

Apesar de ainda correrem, não nos alcancariam mais.

Foram ficando pequenos, pequebnos… Até desaparecerem.

Eu consegui.

— Meu Deus, obrigada… Obrigada, Meu Deus!!! – chorava.

Um alívio quase doloroso invadiu meu peito.

Eu estava livre.

Livre da violência.

Livre do meu marido abusador.

Fechei os olhos por um instante e respirei fundo, tentando acalmar o corpo ainda tremendo.

A partir de agora… eu seria outra pessoa.

Mas, no fundo…

eu sabia.

Sairia daquela vida para ser babá de uma linda menininha. Sentia que seria um novo recomeço, ao lado de um serzinho que precisaria de mim.

Mas eu não deveria contar vantagem antes da hora.

Homens como George não morrem tão fácil.

E, mesmo quando morrem…

sempre dão um jeito de voltar.

George não deixaria barato. Disso eu deveria estar certa.

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NOTA DA AUTORA: Só quem já sofreu um relacionamento abusivo sabe a dor da Susan. O que acham?

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