2. O PAPAI TEM CORAÇÃO?

— PAPAIIIIIII!!!!!!

O gritou saiu estridente. Era Sofia. Minha filha pequena.

O relógio apontava mais de meia noite.

— Sofia? — levantei da cama, assustado — Sofia?

Vesti uma camiseta antes de sair pela porta do quarto.

— PAPAI, PAPAI… — ela chorava, ainda gritando desesperada.

Sofia era uma menininha de pouco mais de cinco anos. Frágil.

Desde que tudo mudou, ela sempre teve medo de dormir sozinha.

— Você já foi vê-la, justine?

Encontrei a governanta no corredor. Justine estava de camisola.

Era uma senhora que trabalhava há anos na casa. Quase uma mãe.

— Ainda não, senhor Luther. Ouvi os gritos agora também.

— droga — disse apertando o passo — deve ter sido outro epsadelo.

— Também acho. Pobrezinha…

Justine me seguiu até o quarto de Sofia.

Ao abrir a porta, a encontrei encolhida na cama. A coberta até metade do rosto.

— O que houve, Sofia? — disse firme.

— Papai, tem um mosntro embaixo da cama.

— De novo isso? — falei indo até ela.

Justine ficou na porta.

— Eu juro, papai — ela resmunagava — ele é feio e peludo.

— Monstros não existem. Já falamos sobre isso.

— Existem sim — protestou com um bico — ele disse que não vai embora.

— Venha aqui — a peguei no colo — vamos dar uma olhada.

A coloquei ao meu lado. Ajoelhei enquanto puxava a bainha do edredom.

Olhamos embaixo da cama. Apenas brinquedos perdidos.

— Viu só? Nada aqui embaixo.

— Mas eu juro… — ela estava desapontada — ele entrou aí, papai.

— Não há nada.

— Ele deve ter fugido.

Suspirei longamente.

— Certo, agora volte para a cama, sim…

— Papai… — ela me olhou debaixo para cima.

— Diga, Sofia.

— Dorme comigo? Como a mamãe fazia?

Eu hesitei por um instante. Deveria ficar? Deveria ceder?

Não. Sofia precisvaa aprender a ser frote. Eu temia que ela crescesse dependente.

— Já disse que não há monstros — a puxei do chão pondo na cama — agora vamos dormir.

— Eu tô com medo. Fica, por favorzinho.

— Não há o que temer. Não tem monstro algum.

Senti meu coração se apertar. Ela se encolheu na coberta,

Mas Sofia precisava entender como a vida era.

— Tudo bem, papai — a voz doce, frágil — tudo bem.

— Boa noite, Sofia. Até a amnahã.

*

— Ela tem tido muitos pesadelos depois que a senhora Alba…

Justinee evitou dizer a palavra “morreu”.

Alba era minha esposa. Ela partiu desse mundo deixando muitos estragos.

Não era apenas Sofia que tinha pesadelos.

Eu também sonhava coisas horríveis. A diferença é que eu não acordava gritando.

— Não quero lembrar disso, Jusitne — disse voltando ao meu quarto.

— certo, senhor. E a babá nova? Quando chega?

— Na próxima semana.

— Ah, sim, sim — ela limpou a garganta —. Ela é jovem?

Eu dei de ombros, apesar da pergunta me incomodar.

— Talvez. Não me lembro, Jusitne. Por que?

— Bem, o senhor é jovem e bonito. Elas tendem a se encantar, senhor Luther.

Isso era irrelevante. Nunca mais deixaria nenhuma mulher brincar com a minha cara de novo.

— Agradeço sua preocupação, Justine. Mas sei me cuidar.

— Tomara que ão seja como as outras.

— Como assim?

— O senhor sabe. Se interessarem mais pelo senhor do que pela menina.

Justine tinha razão. Mas não daria corda par ao assunto.

— Veremos, Justine — cheguei ao quarto — durma bem.

— O senhor também, senhor Luther,

Até tentei dormir, mas Sofia não saia da minha cabeça.

Vê-la aterrorizadaa me deixou aflito.

Eu não era dos homens mais afetuosos. Nem o pai mais carinhoso.

Mas eu a amava. Do meu jeito duro, mas amava.

Sofia sofria a perda da mãe. Eu também sentia falta da Alba, apesar das merdas que ela fez antes de morrer.

— Por que as coisas tiveram que ser assim — bufei calçando meus chinelos.

Em silêncio, voltei ao quarto de Sofia.

Abri a porta vagarosamente para não acordá-la.

Ela estava dormindo calmamente. Suada com fios de cabelo grudados na testa,

Senti meu coração se apertar como nunca. Ela precisava de uma mãe.

Como pai, eu nunca ocuparia esse lugar. Eu nem saberia como, para dizer a verdade.

As vezes eu pensava em me casar só para dar uma mãe para Sofia.

Mas eu não faria isso. Não faria uma mulher sofrer. Eu amava Alba ainda.

Amava minha esposa morta mais do que conseguia odiá-la.

A babá nova talvez ajudasse. Torcia para que chegasse o mais depressa.

E ali, olhando aquela menininha docil dormindo, eu tive de concordar com a Justine.

— Que a nova babá cuide muito bem de você, Sofia.

Contudo, se pudesse perever o futuro, jamais teria aceitado aquela moça como babá da Sofia.

Estava prester a cometer um erro brutal com a contratação dela

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NOTA DA AUTORA: Meu Deus, que homem frio. Será que alguma fugitiva vai cair de paraquedas aí para amolecder esse coração? E a Sofia? Ela merece uma nova mamãe, né?

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