4. A SURPRESA QUE QUASE ME FEZ DESMAIAR

— Senhorita Rose, está presa por falsidade ideológica!

O policial me algemava. Eu chorava, aterroizada.

Quando olhei para o homem, eu reconheci o bigode loiro acima dos labios.

O sorriso amarelo, de tirundo.

— George??????? 

— Ah, achou que ia mesmo conseguir fugir de mim?

— Não, não, não — eu arregalei os olhos — Não.

NÃOOOOOOOO.

Então escutei o barulho da campainha do quarto.

Abri os olhos e me dei conta de que era um pesadelo apenas. Estava no motel.

— Ei, senhorita. Está tudo bem? — perguntou uma voz de homem.

— Sim — gritei de volta — apenas estava… estava… cantando.

Demorou a responder.

— Ok. Se eprecisar de algo.

— Obrigada. Tá tudo bem.

Ouvi os passos se afastarem e me sentei na cama.

Havia sido apenas um pesadelo, mas nada que não pudesse se tornar real.

George não estava morto.

Não estava preso.

E eu não podia cometer erros.

— Por que eu não terminei o serviço… — murmurei para mim mesma.

Passei o restante da noite organizando minhas coisas e ensaiando mentalmente a entrevista. 

Enquanto pendurava roupas no cabide, construía uma nova vida na minha cabeça. 

Rose não era casada. Nunca tinha sido esposa de ningue. 

Não tinha passado por nada do que eu vivi. Rose era leve.

Rose usava vestidos floridos, discretos, confortáveis. Não chamava atenção. Não usava decotes.

Esses pensamentos só cessaram quando o cansaço venceu.

Dormi.

Acordei com o som do despertador e, estranhamente, sorri. Olhei ao redor e respirei fundo. 

Nenhum outro pesadelo.

Eu estava em um motel de beira de estrada, com um nome falso, uma aparência diferente e quase nenhum dinheiro.

Mas livre. Dinheiro nenhum compraria isso.

Levantei e me preparei com cuidado. Escolhi um vestido de fundo rosa claro, com pequenas flores discretas. Coloquei uma tiara, os óculos e observei meu reflexo no espelho.

Rose.

Eu era Rose agora.

Não Susan.

Não mais.

Como meu carro ainda estava inutilizável, chamei um transporte por aplicativo. Entrei no carro tentando parecer tranquila, mas meu corpo continuava em alerta.

— Décima avenida? — perguntou o motorista.

— Isso — respondi, colocando o cinto.

— Bairro chique — comentou ele.

Assenti com um leve movimento de cabeça, evitando contato visual. Qualquer interação me deixava tensa. Eu ainda não sabia ser Rose com naturalidade.

— Engraçado… pagamento em dinheiro — ele continuou — quase ninguém usa hoje em dia.

Meu coração acelerou.

— Prefiro assim — respondi, tentando soar casual.

Ele riu.

— Só quem está fugindo usa dinheiro vivo, não acha?

Meu estômago revirou.

Forcei um sorriso discreto.

— Pode ser.

Queria mandá-lo calar a boca. Queria sair daquele carro.

Mas Rose não faria isso.

Respirei fundo e permaneci em silêncio até chegarmos.

Paguei rapidamente e saí do carro sem olhar para trás.

A casa ficava em um bairro de alto padrão. Muito além do que eu imaginava. Já sabia que não eram pessoas pobres, mas aquilo… era outro nível.

O porteiro me recebeu com educação.

— Documento, por favor.

— Claro — respondi, entregando o RG.

Ele analisou com atenção. Tempo demais.

Meu coração disparou.

— A senhora já percebeu que as letras estão um pouco desfocadas? — perguntou.

Por um segundo, perdi o ar.

— Não… nunca tive problema.

Ele olhou novamente para o documento, depois para a tela do computador.

— Estranho.

O suor frio escorreu pela minha nuca.

Mas, após alguns segundos, ele apenas digitou mais algumas informações e me devolveu o documento.

— Pode entrar. Siga reto até o segundo arbusto, depois à esquerda.

— Obrigada.

Só consegui respirar direito depois de passar pelo portão.

Caminhei até a casa tentando controlar o nervosismo. A fachada era imponente, com uma porta alta e elegante que me fez sentir pequena diante dela. Toquei a campainha e esperei.

Nada.

Esperei mais.

Minutos que pareceram longos demais.

Toquei novamente.

Comecei a ficar inquieta, balançando levemente a perna.

— Que droga…

Virei-me, pensando em voltar até o porteiro, mas antes que desse um passo, ouvi o som de alguém se aproximando.

Meu estômago afundou.

Precisei me concentrar.

Eu era Rose.

“Meu nome é Rose”, repeti mentalmente.

A porta se abriu.

E, no instante em que vi quem estava diante de mim…

meu corpo travou.

Eu conhecia aquele homem.

Os mesmos traços. A mesma postura. A mesma presença que eu tinha sentido na noite anterior.

Os olhos dele estavam fixos em mim.

Atentos.

Analíticos.

Como se tentassem me decifrar.

— Você? 

A testa dele se franziu levemente.

Como se algo não encaixasse.

Minha garganta secou.

De todas as pessoas no mundo…

Luther era a última pessoa que eu esperava ver diante de mim.

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NOTA DA AUTORA: Será que o Luther não sabia mesmo quem era ela?

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