Lucas estava no escritório em sua casa, café frio ao lado do notebook e aquela expressão típica de quem não confia nem no próprio reflexo.
Na tela, fotos.
Muitas.
Tina entrando no prédio.
Saindo para o almoço.
Rindo com os rapazes.
Tina à noite, luz acesa, rotina normal.
Proteção padrão. Nada fora do esperado.
Até que o segurança anexou uma nova pasta.
“Visita frequente na casa em Monte Verde — mulher não identificada.”
Lucas clicou.
A primeira foto mostra uma mulher de costas, casaco escuro, bolsa grande no braço, parada na porta da casa de Tina.
Nada gritava perigo.
Na segunda foto, ela virava o rosto de leve.
Lucas congelou.
— Não… Murmurou, aproximando o rosto da tela.
Memória fotográfica era uma maldição. Uma vez visto, nunca esquecido.
Lucas encarava a foto enviada pelo segurança havia tempo demais.
A mulher parada diante da casa de Tina parecia comum. Casaco discreto, bolsa no braço, postura contida. Gente que passa despercebida de propósito.
Mas para Lucas, nada ali era comum