A casa em Monte Verde estava cheia daquele barulho bom de fim de tarde: panela no fogo, televisão ligada num volume que ninguém realmente escutava e Melinda jogada no sofá, de pernas para o alto, rindo sozinha de um vídeo idiota no celular.
Tina picava cebola com uma tranquilidade ensaiada demais.
Era o tipo de calma que só existe quando a cabeça está em outro lugar.
— Mãe… — Melinda disse, sem tirar os olhos da tela. — Você está sorrindo para a cebola.
— Tô nada. Tina respondeu rápido demais.