A marca de nascença

Horas depois, de volta ao apartamento, os quadros estavam encostados na parede, as cores misturando-se ao som distante dos pintores terminando o serviço.

Tina ajeitou um vaso azul sobre a mesa e suspirou.

— Agora sim. Um toque de vida.

— Um toque seu. Disse ele, aproximando-se. — E tudo parece mais… certo.

Tina sentiu o peso daquela palavra, certo… como se ele tivesse nomeado algo que ela vinha evitando pensar.

Certo demais.

Ela deu um passo para trás, mas o espaço era pequeno e o corpo dela percebeu antes da razão. Máximo também percebeu. O maxilar dele se contraiu, como se estivesse travando uma guerra silenciosa consigo mesmo.

— Eu deveria manter distância. Ele disse, mais para si do que para ela.

— Deveria. Ela concordou, a voz mais baixa do que pretendia.

Mas nenhum dos dois se mexeu.

O silêncio ficou pesado, carregado de tudo que não estavam dizendo. Tina teve a estranha sensação de que ele não a olhava como quem deseja possuir, mas como quem teme perder algo que acabou de encon
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