O sofá alaranjado

Quando Tina chegou ao apartamento, encontrou Máximo parado diante da parede onde ambos os quadros agora dividiam espaço: o dele, sóbrio e geométrico; o dela, um campo de girassóis sob um céu incendiado de cores.

Ela parou ao lado dele, avaliou a cena e não perdeu a chance: — Bom dia, meus girassóis. Agora quero ver você dar bom dia para esse monte de riscos sem graça do seu quadro.

Máximo riu baixo, virou-se para ela e, sem pensar muito, deu um passo à frente. O abraço veio fácil demais, natural demais. Ele encostou o rosto no dela e deixou um beijo leve na bochecha.

— Bom dia, luz que ilumina minha vida.

Tina se afastou rápido, como se tivesse levado um choque. O rosto ficou vermelho na hora. — Pode parar com isso. Isso não é jeito de cumprimentar um amigo. No máximo, um aperto de mão.

— Quem falou que sou seu amigo foi você. Ele respondeu, com aquele sorriso que sempre vinha carregado de problemas. — Não, eu.

Ela cruzou os braços, tentando recuperar o controle. — E o que você quer s
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