Mundo ficciónIniciar sesiónAlice sabia que trabalhar para Victor Lancaster, um CEO implacável e controlador, exigia disciplina. Mas ninguém a preparou para Valentina Lancaster. Esposa ambiciosa, dona de uma beleza e personalidade enigmática. Uma presença forte por onde passa, até mesmo impossível de ignorar. No começo, Alice achava que tudo não passava de charme inocente de uma mulher extrovertida. Mas, Valentina não fazia nada por acaso. Os toques sutis, os sorrisos carregados de segredos, entre olhares demorados… tudo nela era intenso, como uma fragrância marcante. Seria apenas assuntos de trabalho, provocação ou um convite silencioso para algo a mais? Alice tenta ignorar, mas Valentina sabia exatamente como dobrar vontades. E quanto mais ela se rende, mais percebe que está presa em algo maior — seria isso um possível triângulo de poder, desejo e manipulação, onde ninguém escaparia ileso? Victor estaria envolvido ou era mais uma vítima, o que ele fará? E, no final, quem realmente está no controle desse jogo?
Leer másO coração disparou antes mesmo que Alice abrisse os olhos.
O despertador tocava pela terceira vez quando ela finalmente se levantou, de um salto, como se tivesse levado um choque. A madrugada fora consumida entre relatórios e ajustes de última hora nos projetos do chefe.
No banheiro, o espelho devolveu um reflexo pouco animador: os fios loiro-mel em completo desalinho, os olhos âmbar arregalados, marcados pelo cansaço. Soltou um suspiro curto, às pressas jogou água gelada no rosto, tentando acordar à força.
Sem tempo para grandes correções, prendeu o cabelo em um coque improvisado, pegou a bolsa e desceu as escadas quase correndo, desviando por pouco de Tomás, o irmão mais novo, que ocupava metade do corredor com uma mochila exagerada.
— Droga, vou me atrasar de novo… — ela murmurou, conferindo o horário.
Viver com os pais e dois irmãos significava caos constante. Disputa por banheiro, café da manhã apressado e vozes sobrepostas. Sair no horário era quase um feito heroico.
— De novo? — Provocou Benício, encostado na porta. — Desse jeito, você vai acabar desempregada. E nem pense em pedir carona.
— Caí fora, nem te pedi nada! — Retrucou, saindo antes que a discussão se alongasse.
O caminho até o trabalho foi um borrão.
A Lancaster Enterprise ocupava boa parte da sua rotina — e, de certa forma, da sua vida. Alice começara ali como estagiária no setor de publicidade. Com os meses, insistência e noites mal dormidas, foi ganhando espaço. Um ano depois veio a efetivação. Depois, a promoção.
Assistente pessoal do CEO.
Victor Lancaster.
O nome, por si só, já bastava para tensionar seus ombros. Não era apenas pelo cargo que ele ocupava, mas pela presença que impunha. Reservado, preciso, o tipo de homem que parecia controlar tudo ao redor com facilidade desconcertante. Exigente… mais do que ela gostaria de admitir.
Alice atravessou o lobby ofegante, o som dos saltos ecoando no piso de mármore. Ajustou o blazer, recompôs a postura e entrou no elevador.
No andar superior, o ambiente exalava paz e sofisticação. Tons neutros, ar frio e um leve cheiro de lavanda quase imperceptível. Ela seguiu até a própria mesa, ligou o computador e começou a organizar a agenda do dia. Precisava recuperar o controle, repetia para si enquanto digitava: foram apenas alguns minutos de atraso, nada demais.
Foi então que ouviu passos discretos — e percebeu um aroma diferente do habitual.
Alice ergueu os olhos e parou.
A mulher à sua frente parecia uma escultura. Havia nela algo quase mitológico, como a deusa Afrodite. Alta, postura impecável, pele clara contrastando com os cabelos negros perfeitamente alinhados até os ombros. Os olhos esverdeados eram penetrantes; percorriam cada detalhe com atenção calculada, como se avaliassem algo de valor — ou de risco.
Valentina Lancaster.
O ar faltou por um instante. Ainda não haviam sido apresentadas formalmente, mas não havia dúvida. Alice reconheceu o rosto do porta-retrato sobre a mesa do CEO.
O leve sorriso nos lábios de Valentina não era exatamente gentil.
— Então é você… — disse, devagar, como se experimentasse algo novo. — É… gostei.
Alice piscou, sentindo um nó se formar na garganta.
— Perdão?
Valentina avançou um passo. A distância entre as duas diminuiu o suficiente para que o perfume se tornasse mais intenso.
— A nova assistente do meu marido — completou, em tom baixo, sem desviar o olhar.
— Isso mesmo… — respondeu, desviando o olhar para o monitor. — Alice Consuelo Martini.
Valentina inclinou levemente a cabeça, analisando o nome como quem prova algo novo.
— Reparei no seu crachá, Alice… — repetiu, separando as sílabas com cuidado. — Angelical. Combina com você.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, o gesto veio sem aviso. Valentina levou a mão ao rosto dela e tocou o canto do seu olho com suavidade.
A pele fria provocou um arrepio imediato.
Valentina sorriu — um sorriso lento, difícil de decifrar, então recuou.
— Calma, querida… era seu rímel borrado.
— Obrigada… — disse Alice, tentando se recompor. — Saí com pressa, não percebi.
Valentina não respondeu de imediato. Limitou-se a deslizar o olhar até o relógio de pulso, como se reavaliasse o tempo.
— Preciso falar com o Victor — disse, voltando a encará-la. — Meu marido me espera.
A ênfase não passou despercebida.
Ela seguiu até a porta do escritório. Antes de entrar, lançou um último olhar por cima do ombro.
— Foi um prazer, Alice. Tenho a sensação de que vamos nos dar muito bem.
Então, a porta se fechou.
Alice se irritou consigo mesma por ter reagido daquela forma. Não conseguia se concentrar. O ar ainda era denso, como se a presença daquela mulher tivesse drenado o ambiente. Ela só queria sair dali o quanto antes.
Aproveitou a desculpa de imprimir alguns documentos e desceu até a copa quase no automático. Serviu um copo d’água — mãos levemente trêmulas — e tentou organizar os pensamentos.
— Pelo amor de Deus… o que a esposa do chefe veio fazer aqui?
A voz sussurrada e alarmada fez Alice se virar, assustada.
Dora estava na entrada, olhos arregalados, claramente à beira de um escândalo.
— Você está falando da senhora Lancaster?
Dora fechou os olhos por um segundo, impaciente.
— Não chama ela assim, se quiser evitar problema.
Alice franziu a testa.
— Por quê? O que tem de mais?
— Já fui secretária dela e sei exatamente do que estou falando. E, sinceramente, é melhor não contrariar — respondeu Dora, aproximando-se. — Quando ela aparece… alguém entra na mira.
Antes que Alice assimilasse, outra voz entrou na conversa.
— Ouça e obedeça. Alguém sempre paga o preço. E paga bem caro.
Dona Santa surgiu logo atrás, esfregando o chão, com expressão desconfiada.
Alice alternou o olhar entre as duas.
— O que vocês querem dizer com isso?
Dora hesitou por um instante, mas não resistiu.
— Você não percebeu ainda? O assistente anterior do CEO — começou, em tom conspiratório. — Dizem que ele se envolveu com ela.
Dona Santa soltou um som de reprovação.
— Nem fala, o coitado nunca mais foi visto.
Um arrepio percorreu a espinha de Alice.
— Sumiu… como?
— Demitido, oficialmente — respondeu Dora. — Mas ninguém acredita que tenha sido só isso. Ele era de confiança. Braço direito do Victor… e do pai dela também.
— Seu Ramon nunca ia aceitar — acrescentou Dona Santa, firme. — Ainda mais um funcionário como ele.
Dora soltou uma risada abafada.
— A família não é flor que se cheire. Ai de quem se envolve...
Alice engoliu em seco.
— Mas… por quê?
— Houve uma confusão — continuou Dora. — Valentina queria se separar… mas ele não aceitou. Ele é completamente obcecado por ela.
— Ela sabe disso — completou Dona Santa. — E se aproveita. Depois disso, ela foi embora daqui… e nunca mais voltou.
O silêncio que se seguiu foi breve, mas pesado.
Alice desviou o olhar, tentando organizar o que tinha acabado de ouvir.
— Então… o que ela faz aqui depois de tanto tempo?
Dora e Dona Santa trocaram um olhar rápido.
— É isso que ninguém entendeu ainda — murmurou Dora.
Dona Santa estreitou os olhos, juntando seus materiais de limpeza.
— Deve tá procurando uma nova vítima.
O estômago de Alice revirou.
— Devem estar planejando alguma coisa…
Ela saiu apressada, antes que qualquer uma pudesse continuar.
Enquanto caminhava de volta, a imagem de Valentina retornou com força. Aquele olhar, o toque, o sorriso.
Aquilo não tinha sido um encontro casual, mas o início de uma marcação.
E, se aquelas suspeitas fossem verdade, ela não fazia ideia de como lidar com a esposa do chefe.
O jardim da fazenda Lancaster exalava o sol da tarde que banhava o jardim em tons de pêssego e dourado. Alice observava a decoração neutra, os balões flutuando suavemente e o sorriso constante de Rique. Era o dia do seu vigésimo quinto aniversário e o dia de descobrir quem crescia em seu ventre. A vida parecia, finalmente, ter encontrado um pouco de paz. Mesmo assim, sentia o peso da ausência de Valentina. Era uma névoa que ninguém conseguia dissipar.O nome do bebê já era um pacto: uma homenagem à mulher que tinha sido um furacão e o enigma em suas vidas. A casa estava cheia, risos ecoavam pelo jardim, e a ansiedade do momento parecia diluída entre abraços, presentes e expectativas.Em determinado instante, sentindo o corpo cansado e a mente cheia, ela se afastou discretamente. Precisava de silêncio, nem que fosse por alguns minutos. Enquanto a música suave dissipava, o celular dela vibrou no bolso. Sentou-se em um banco para responder às mensagens, e um e-mail no topo da tela surge
As últimas semanas tinham sido um caos. A busca incessante por Valentina e Victor drenava a energia dos Lancaster, e a esperança de encontrá-los vivos já era quase nula. Ainda assim, a família precisava compreender o que realmente havia acontecido — não apenas para tentar salvar a reputação da empresa, mas, principalmente, para limpar o nome de Valentina.A polícia não tinha respostas. As poucas pistas desapareceram, e, aos poucos, o assunto saiu das manchetes. Dentro de casa, todos se calaram diante da tragédia. Silvana carregava uma ferida aberta por não conseguir resolver aquilo; Ramon, por sua vez, parecia cada vez mais distante, evitando tocar no assunto.O último apelo do investigador Kim foi direcionado a Rique, que havia assumido a gestão das duas empresas. Ele o encontrou na VIVA, na sala de reuniões, acompanhado da namorada e de Carlito. O ambiente estava pesado. Kim mantinha o tom sério, os olhos estreitados sobre Rique, enquanto Alice, ao lado, folheava distraidamente um p
O investigador Kim não conseguia afastar a sensação de que algo estava sendo jogado diante de seus olhos apenas para distraí-lo do que realmente importava. As últimas semanas foram um turbilhão, e a notícia mais recente apenas confirmava que a trama em torno do desaparecimento de Valentina e Victor estava longe de ser linear. Era algo bem intrigante. Na manhã seguinte ao vazamento da matéria na imprensa, a polícia foi informada de que o porteiro do hangar onde ficavam os jatinhos da família havia sido encontrado em um sítio abandonado, acompanhado de Radiam, o cavalo. Quando chegaram lá, o homem estava sentado à sombra de um galpão, com o olhar perdido e respiração ofegante. Respondia em frases soltas, misturando tempos, como se quisesse falar e ao mesmo tempo apagar o que sabia.O investigador sabia ler aquele tipo de postura. Não era apenas nervosismo: parecia medo encoberto. Talvez medo de gente perigosa. — Dona Valentina... ela pediu pra cuidar do animal — ele começou, voz trêmu
A fazenda estava mergulhada num caos abafado. Uma tensão invisível escorria pelas paredes e se infiltrava nas vozes dos funcionários que, espalhados pelos arredores, varriam cada centímetro em busca de qualquer sinal de Valentina. Nenhum rastro. Nenhuma resposta.Dentro da sede, o clima era de desespero contido. Alice, Silvana e alguns familiares tentavam organizar as ideias entre ligações, hipóteses e perguntas que ninguém conseguia responder. Foi nesse caótico momento que um telefone tocou. Ramon, com os olhos vermelhos, levantou-se em um impulso automático e foi para o escritório. Ele fechou a porta, e o que ouviu do outro lado da linha fez seu sangue gelar.Ramon não saiu de lá, mas antes que alguém fosse atrás. A porta da frente se escancarou com violência, e o som seco rompeu o silêncio.— Gente! Vão para sala de cinema! Agora! — A voz de Rique rompeu, exaltada e quase tremendo. — É urgente!Ele correu sem esperar que alguém perguntasse algo. Era como se as palavras estivessem em





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