CONHECENDO O MEU MARIDO

O momento havia chegado.

Eu finalmente conheceria o meu marido. No convento nós não tínhamos acesso a nada, havia apenas um aparelho de televisão que ficava na sala comum.

Mas só passavam filmes religiosos repetidos, dia após dia.

Fiquei em pé e segui aquele senhor sem reclamar. Descobri que a família Blanc podia ser ainda mais cruel do que as madres do colégio católico.

— Sim, senhor.

Já estava vestida com as roupas que o imbecil que me prendeu havia me dado e agora só me restava fingir obediência.

Seria o começo do meu plano, a minha primeira jogada. Não há como vencer uma partida sem ativar os cavalos no tabuleiro.

O rei só cairia quando eu tivesse eliminado a sua dama e Suzanna era o meu alvo.

Acompanhei o senhor até um carro que parecia longo demais para estar parado ali, preto, brilhando tanto que dava para ver meu rosto torto refletido na porta.

Pensei que fosse um ônibus chique e sem placas.

Quando a porta se abriu sozinha, tive certeza de que aquele carro sabia mais da minha vida do que eu mesma.

— Esse carro é seu?

O senhor deu risada e me respondeu com outra pergunta.

— A senhora é Aurora Swtz, correto?

Entendi a ironia, afinal uma filha da grande família Swtz deveria saber o que era aquele carro bizarro que gritava poder. Levantei ainda mais o queixo.

— Sim, só que tenho uma teoria sobre carros grandes e pintos pequenos. Nada pessoal. Deve ser do meu marido, né?

O senhor abaixou a cabeça e negou como se eu tivesse acabado de cometer um sacrilégio e eu entrei no carro pensando que precisava controlar a minha língua.

Um caminho silencioso demais, me sentia presa naquele assento de couro que cheirava a dinheiro.

Estava isolada do motorista por um vidro que deixou de ser transparente assim que o motor ligou.

Quando a porta finalmente se abriu fui recebida por quatro mulheres que usavam uniformes impecáveis.

Olhei em volta, só havia fontes e esculturas.

— Onde estamos?

Uma das moças me respondeu sem me encarar.

— Estamos na residência Blanc, senhora. Venha comigo.

Usamos outro carro para chegar à mansão, um desses abertos e com bancos fofinhos. Não fiz mais perguntas até ser levada para uma espécie de spa ou algo parecido.

Em minutos meus cabelos estavam sendo lavados por tantas mãos que eu fiquei zonza.

Depilação, massagens e por fim, o esmalte preto que eu tinha passado assim que cheguei de volta no meu antigo quarto foram retirados.

— Hei. Eu pintei as unhas ontem.

A moça olhou para outra e fui respondida pela única funcionária que parecia ter língua naquela casa.

— O seu marido não autorizou que suas unhas estivessem pintadas, assim como maquiagens.

— Não autorizou? Como assim? São as minhas unhas e não as dele.

Sem respostas, talvez a língua dela só funcionasse para falar besteiras, mas quando terminaram aquele show bizarro de cuidados estéticos eu recebi uma camisola branca.

— Vista isso, hoje é sua noite de núpcias e o senhor Blanc disse que combina com a pureza das mulheres Swtz.

Segurei o tecido com o coração acelerado. Eu sabia que aceitar aquele acordo significava estar com um homem que eu desprezava tanto quanto odiava a minha própria família.

Só não esperava que aquilo me causasse tanto medo.

Minhas mãos tremiam, mas fingi que aquilo não significava nada. Vesti a camisola que deslizou pelo meu corpo como se daquela vez, provavelmente a primeira, eu não estivesse usando as sobras de Suzanna.

Fui levada até a porta de um quarto no segundo andar. A funcionária ao meu lado pareceu se preocupar comigo.

— Está pronta, senhora Blanc?

— Como é o seu nome?

— Eu me chamo Helena, fui contratada como assistente pessoal da senhorita Suzanna. Treinei para esse dia durante dois anos, mas com o fim do noivado fui realocada para a senhora.

Soltei uma risada irônica.

— Então você também é dela.

— Sou uma pessoa e a senhora também. Não temos donos. Lembre-se disso aí dentro, Aurora.

Meus olhos se encheram de lágrimas que eu lutei para engolir junto com o meu orgulho antes de girar a maçaneta.

O quarto estava completamente escuro e assim que cruzei o limite daquele lugar uma mão forte me puxou para dentro.

Sentia o cheiro de perfume, as mãos grandes segurando os meus braços contra a parede e a respiração quente em meu pescoço.

Fechei os olhos e esperei pelo que aconteceria.

Não toquei, mas sentia que era um homem forte, os músculos firmes roçavam minha pele enquanto eu tentava respirar.

Então Noah soltou meus braços e tocou meu rosto com uma delicadeza que eu não esperava.

Provavelmente as luzes estavam apagadas para que ele pensasse em Suzanna e isso me enojou.

Ele desceu a mão pelo meu pescoço e afastou a alça fina da camisola. Depositou um beijo ali, minha pele arrepiou.

Talvez eu quisesse, não sei, mas a umidade que se construiu em uma parte minha que eu nunca ousei conhecer além do banho provou que eu não era tão imune a ele quanto fingia ser.

Noah desceu a outra alça da camisola branca que ficou presa ao meu corpo apenas pelo volume dos meus seios.

Deslizou os dedos pela pele que o tecido havia descoberto e quando a respiração de Noah ficou mais pesada aquele som também mexeu comigo.

Os lábios dele voltaram para o meu pescoço, beijos leves que me causavam medo e excitação.

— Tira, Aurora.

Engoli a saliva e puxei a camisola até estar apenas de calcinha no quarto do marido que eu nunca tinha visto.

A mão dele apertou minha cintura com a segurança de quem está acostumado a ser obedecido.

E eu quis obedecer. Meu corpo quis. Quase não conseguia respirar com o calor dele tão perto de mim.

Então ouvi a respiração dele mudar.

— Agora olha para mim.

Ouvi o clique do interruptor. Meus joelhos falharam e eu tentei me afastar.

— Você?

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