Mundo de ficçãoIniciar sessãoO rosto dele.
O mesmo homem que me trancou como um bicho em uma sala na minha própria festa de casamento.
O desgraçado que riu da minha cara enquanto eu ostentava um sobrenome que agora parece uma coleira. O segurança, o bastardo, o dono de tudo.
Ele era Noah Blanc.
O meu marido, o homem que eu queria atrair e agora só me causava medo e raiva.
Tentei cobrir meus seios com os braços.
Mas ele desceu o olhar com um sorriso perverso. Eu não esperava um pedido de desculpas, mas também não imaginava que ele faria aquilo.
Noah segurou os meus punhos e prendeu meus braços acima da minha cabeça.
Eu perguntei de novo. Queria que ele me soltasse, mas sabia que não podia pedir. Monstros se divertem com a ideia de poder e eu não entregaria isso àquele infeliz.
Sorri, ou tentei sorrir.
— Você?
Ele não respondeu.
Apenas desceu os olhos pelo meu corpo. Cheirou meu pescoço e então, passou um dos meus punhos para que pudesse segurar apenas com uma mão.
A mão livre apalpou meu seio. A primeira vez que um homem me tocava e não foi com amor ou desejo. Noah apertava como se quisesse pedir algo.
— São firmes.
Aquela frase doeu em mim como se ele tivesse me batido. Ao menos eu tinha uma resposta, Suzanna o traía porque era o que aquele bastardo merecia receber.
Ainda assim tentei reparar a primeira impressão que eu havia causado. Precisava de Noah para destruir Suzanna e não podia colocar tudo a perder.
— Achei que você fosse um empregado. Desculpa. Aquele papo sobre...
Eu não tive coragem de repetir o que eu tinha falado. Havia apelado para a pior ofensa quando falei de Noah para ele mesmo. Me senti uma imbecil.
— O que você achou não me interessa, Aurora.
De repente ele me virou. Colou o peito nas minhas costas e por mais que eu odeie admitir. Eu gostei daquele contato, do calor do corpo dele.
Noah me levou até a frente de um espelho grande. Encarei a imagem refletida.
Ele não era só um homem bonito. Os olhos claros contrastavam com a barba escura e os cabelos... Aquele ar de quem não respeitava regras me fez querer.
Mesmo que eu soubesse que era loucura.
Eu estava com medo, mas os olhos dele e o peito musculoso colado as minhas costas nuas me deixavam tonta.
Noah subiu a mão pelo meu braço, um toque sutil, só as pontas dos dedos arrepiando cada centímetro da minha pele.
E então ele segurou meu queixo me forçando a encarar novamente o espelho.
— Eu te comprei, Aurora. Isso que você está vendo no espelho não te pertence mais. Posso fazer o que eu quiser, até te deixar nua em uma coleira e ninguém vai sequer perguntar por você. Entende isso?
— Noah, eu não sabia que era você. Pode parar? Estou aqui, sou sua mulher, precisamos viver em paz.
Eu tentei a jogada do bom senso, mesmo que parecesse inútil eu precisava tentar alguma coisa.
Mas ele parecia não me ouvir.
— A partir de amanhã, sua vida tem regras. Café às sete. Almoço ao meio-dia. Jantar comigo, em silêncio absoluto. Você não circula pela ala leste da casa e só veste o que eu autorizar.
Noah passou o braço em volta do meu corpo. Um abraço.
— Eu vi as fotos do seu exame, Aurora. Cada detalhe. Você passou na inspeção. O papel diz que você é pura, mas seus olhos dizem que você é uma vadia que eu vou treinar para me servir.
Senti o vômito chegar a minha garganta. Segurei, respirei fundo e engoli o líquido amargo pouco a pouco junto com a saliva.
Eu não era uma esposa, era um pedaço de carne certificado.
Noah desceu a mão pelo meu pescoço, apertou. Não para me machucar, só para marcar o território que ele acreditava ser seu.
Eu queria cuspir na cara dele, mas minhas pernas estavam bambas e uma umidade vergonhosa traía meu ódio.
— O contrato diz que seu corpo é o pagamento. Seus órgãos, sua pele, sua virgindade. Tudo isso faz parte do meu patrimônio agora.
De repente, ele se afastou.
Eu fiquei nua e trêmula na frente daquele espelho. Tentei alcançar a minha camisola.
— Assim! Você vai dormir assim todas as noites Aurora. Mesmo que esteja frio eu te quero nua. Me esperando.
Soltei o tecido e Noah me olhou uma última vez.
— Hoje você dorme aqui. Amanhã eu decido se te mostro que homens com dinheiro podem comprar mulheres e ainda ter um pau que te faça gritar.







