O DIA DO CASAMENTO

Com os papéis assinados, fui levada para uma festa onde as pessoas pareciam mais mortas do que vivas.

Entrei no salão usando um vestido azul ridículo, daqueles desenhados por estilistas para vestir o corpo das filhas de milionários.

Todos olharam para mim. E eu?

Eu fui direto para os fundos do salão, peguei uma faca que estava sobre a mesa. Entrei no banheiro e fiz o que precisava ser feito.

Reconfigurei aquele vestido em algo que realmente mostrava quem eu era. Gostaria de ter uma tesoura, mas gostei do resultado. Mangas no chão revelando o meu colo e a saia extremamente curta.

Tudo feito para causar.

Deixei os trapos ali mesmo e quando saí, todos, entenderam quem eu era.

Minha madrasta correu em minha direção tentando me empurrar de volta para os fundos.

— Aurora! Ficou louca?

Sorri triunfante e a empurrei.

— Sou uma mulher casada, mamãezinha. Não pode mais me dar ordens.

Eu cresci sendo obrigada a chamar aquela megera de mãe. Na festa do meu casamento com o temido Noah Blanc eu quis chamá-la assim.

Voltei para o centro do salão e me aproximei da banda que tocava músicas calmas e que eu jamais ouviria.

— Sou a noiva desse casamento. E gosto de rock. Sabe alguma coisa?

— Senhora Blanc?

— É uma ordem!

Sempre quis falar essa frase e descobri naquele dia que eu estava certa. Realmente me trouxe um tesão inexplicável.

Estava dançando quando alguém segurou o meu braço e me puxou para longe do salão vazio. Os convidados da alta sociedade estavam encolhidos falando sobre a minha performance.

Só consegui olhar para o rosto do homem que me guiava em um abraço nada carinhoso quando finalmente estávamos em uma espécie de antessala.

— Vista isso!

Ele jogou um conjunto de saia e blazer em meu rosto. Devolvi o presente com a mesma agressividade.

— Vista você se quiser.

— Não brinque comigo, Aurora. Pode ser a sua última brincadeira.

— Aurora Blanc para você, seu bastardo. Eu acabei de me casar com o maldito dono do chão que você lambe.

Ele soltou um sorriso contido e isso me fez arrepiar.

— Então é a senhora Blanc?

Ergui o queixo e respondi satisfeita.

— Sou!

— Então tira a roupa.

Ele passeou os olhos pelo meu corpo e pela primeira vez naquela noite senti vergonha por ter tirado as mangas e deixado a saia tão curta que minhas pernas estavam completamente à mostra.

— Não! Eu vou...

Ele sorriu outra vez. Dessa vez um riso mais aberto.

— Vai chamar o seu marido?

Gaguejei. Sabia que Noah não estava ali. Ele não havia nem mesmo se dignado a aparecer para assinar aquela maldita certidão.

— Vou!

— Então vai. Chama ele e vamos ver o que o dono desse chão vai dizer. Pelo que vejo você não tem muito valor para ele. Se tivesse não estaria se portando como uma qualquer.

— Seu patrão é um riquinho de quinta categoria que deve ter o pau tão pequeno que precisa comprar mulher. Mas isso não muda o fato de que o covarde é meu marido.

O homem passou a mão pelos cabelos longos e depois coçou a barba de um jeito que fez meu rosto queimar. Os olhos eram intensos e ele focou nas minhas coxas enquanto arrumava o volume que se formou atrás da calça social.

— Se está insatisfeita eu posso te ajudar com isso, Senhora Blanc.

Tentei brigar, mas a voz não saiu.

— Vai se vestir como uma mulher casada ou não?

— Não!

— Então, a festa acabou para você, senhora Blanc. Vai ficar de castigo essa noite e isso é uma decisão minha.

O som da chave girando me fez correr. Gritei por várias horas, mas ninguém apareceu. A música lá fora foi substituída por um silêncio terrível.

Eu havia sido largada na minha própria festa de casamento.

Respirei fundo e cedi. Soltei o peso do meu corpo no chão e desisti de brigar.

Trancada, sem testemunhas, eu era exatamente quem sempre fui para eles. A filha errada, aquela que era esquecida em qualquer lugar que não causasse problemas.

Provavelmente o homem que me arrastou e me deixou ali estava a serviço da família Blanc.

Estava quase dormindo quando a porta foi aberta e um senhor de idade falou gentilmente.

— Vamos menina, seu marido está te esperando. O senhor Noah pediu para que eu te buscasse.

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