Mundo de ficçãoIniciar sessão— Na próxima vez que tentar fugir de mim, eu irei atrás de você. E não se engane... eu vou te alcançar. Entendeu? — S-sim, senhor. — Gaguejei, sentindo meu corpo inteiro arder de repente. — Alfa! — Ele corrige, com voz baixa e firme. — Posso ser um Lycan e um Rei, mas ainda sou o seu Alfa, docinho. Sage é apenas uma ômega rejeitada, invisível aos olhos de todos, forçada a viver como escrava dentro da alcateia Blackthorn. Cassius Sloane, o herdeiro Alfa, parecia ser o único em quem ela podia confiar. Ou pelo menos, era o que pensava. Tudo muda quando um estranho de beleza selvagem aparece em seu caminho... ensanguentado, ferido, à beira da morte. Sage sabe o que significa acolher um lobo renegado, mas sua natureza compassiva a impede de virar as costas. E, assim que ele se cura, ele a deixa, como todos os outros. Quando ela já não tem mais nada a perder, é esse mesmo estranho que retorna, no instante exato em que ela mais precisa. Mas a salvação vem acompanhada de verdades que abalam tudo o que ela acreditava. E a dor da traição, mais uma vez, queima fundo. Ela pode ter ganhado uma nova chance e um novo lar, mas logo descobre que a poderosa Alcateia Real não é lugar para uma ômega como ela. E a atração proibida, ardente e cada vez mais incontrolável que sente por certo rei, um rei que jamais poderá ser seu, ameaça a consumi-la. Em um reino atormentado por renegados mutantes e perigos políticos, será que ela conseguirá se erguer acima de sua posição e encontrar a verdadeira felicidade, ou permanecerá para sempre como a ômega rejeitada?
Ler maisAlaricMeu pai não dormia havia dois dias. Observei enquanto ele submetia os guerreiros a treinos exaustivos, até os braços deles tremerem, o próprio cansaço cuidadosamente oculto sob o poder de um Alfa. Ainda assim, eu percebia: o leve tremor nas mãos quando demonstrava os movimentos, o olhar que nunca parava de vasculhar nossas fronteiras.— As defesas do norte precisavam de reforço — Insistiu durante o conselho da manhã.Mapas de batalha cobriam todas as superfícies, certas posições marcadas com uma intensidade inquietante.— Aqui. E aqui. Eles esperariam que protegêssemos a aproximação pelo leste...— Eles? — Garrett perguntou com cautela. — Temos alguma informação específica sobre—— Experiência. — Meu pai o interrompeu. — Algumas ameaças seguiam padrões, se você soubesse onde olhar.Pelo vínculo, senti a preocupação de Sage enquanto ela observava da área reservada aos curandeiros. Ela também via. A forma como ele estudava certas posições defensivas com um foco quase desesperado.
SageAs feridas estavam piorando. Cada patrulha retornava com guerreiros trazendo lesões que resistiam à minha cura de maneiras novas. As mutações se adaptavam mais rápido agora, como se estivessem avançando rumo a algo maior.— A infecção se espalhava de forma diferente — Expliquei à curandeira-chefe, mostrando as linhas negras que se ramificavam pelas veias. — Veja como atingia pontos vitais? Como se estivesse aprendendo...— Eles se preparavam para algo maior — Alertou Aura. — Estes eram testes.— Isso já não são mutações comuns — Concordou a curandeira-chefe, analisando as marcas escuras. — Veja como os padrões mudavam? Quase como se...— Como se estivessem testando quais infecções funcionavam melhor — Completei. — Aprendendo com cada ataque o que mais nos machucava.Outro guerreiro chegou, e as feridas dele pulsavam com uma energia estranha que eu nunca tinha sentido antes. Quando tentei o curar, a corrupção reagiu, subindo pelos meus braços como se tivesse vontade própria.— Não
AlaricA sede da alcateia pareceu quase vazia depois de semanas hospedando lobos ranqueados de todos os territórios. Através do vínculo, eu senti o alívio de Sage por voltar às rotinas sem nobres hostis vigiando cada movimento dela.— A reunião cumpriu o propósito — Relatou Garrett, espalhando mapas territoriais sobre a minha mesa. — A maioria das alcateias concordou em coordenar as defesas agora.Mesmo assim, algo me incomodava. A partida perfeita demais de Cassius. A ausência calculada de Eris das manobras políticas nos últimos dias...Um tumulto nos portões interrompeu meus pensamentos. O cheiro do meu pai me atingiu antes mesmo de eu ver ele... Perseus, de volta da missão diplomática de um mês nos territórios do extremo leste.— Os ataques se espalharam mais do que nós sabíamos — Anunciou sem rodeios, entrando no meu gabinete. A viagem o envelheceu de algum modo, deixando linhas novas ao redor dos olhos. — Toda alcateia que eu visitei relatou padrões semelhantes.Pelo vínculo, eu
CassiusEles acreditavam que venceram. Eu observava das sombras enquanto Alaric conduzia Sage pelos jardins, a mão possessiva apoiada na base das costas dela. O modo como ela o encarava agora, olhos suaves, sorrisos gentis... seria divertido, se não fosse tão útil aos meus planos.— Um retrato bem aconchegante. — Murmurou Eris, surgindo ao meu lado. — Seu pequeno esquema para os separar falhou.— Falhou? — Mantive a voz neutra, analisando como o poder irradiava de Sage agora. Um potencial extraordinário, envolto em uma embalagem delicada demais. — Às vezes é preciso deixar a presa se sentir segura antes de a caçada de verdade começar.Os olhos dela se estreitaram.— O que você estava planejando?— A pergunta era: o que você estava planejando? — Me virei para ela, com interesse calculado. — Os territórios do Norte sempre quiseram mais influência sobre o Rei dos Lycans...— E terão. — O sorriso perfeito escondia segredos. — Por meio da Luna ideal, alguém que compreendia os interesses de
SageFocar no trabalho era a única coisa que mantinha minha sanidade. Enquanto havia feridas para curar, ervas para preparar, técnicas para ensinar... eu quase conseguia ignorar a dor constante do vínculo de companheiros. Quase.— Ele tenta se desculpar. — Lembrou Aura, pela centésima vez.— Depois de acreditar no pior sobre nós. — Retruquei, triturando as ervas com força além do necessário. — Depois de deixar Cassius manipular ele com tanta facilidade.Mesmo mantendo aquela distância fria, eu sentia a presença de Alaric por perto. Ele encontrava desculpas para permanecer próximo durante toda a manhã, embora eu me recusasse a reconhecer ele.O primeiro uivo de alerta mal chamou atenção. Nós já estávamos acostumados a ataques. Mas o segundo uivo carregava algo que eu nunca ouvi antes. Terror puro. Meu sangue congelou.Segundos depois, trouxeram as primeiras vítimas. Guerreiros dilacerados quase além do reconhecimento. As feridas... Pela Deusa da Lua, eu nunca vi uma corrupção como aque
AlaricA verdade me atingia como um golpe físico enquanto eu via Cassius manipular mais uma situação a seu favor. As palavras medidas, o timing exato, a forma como ele se posicionou para ser ouvido naquele dia... porque foi exatamente isso que ele fez. Eu enxergava isso agora.Eu sempre fui cuidadoso em conter minha aura, em não sobrecarregar ninguém. Mas eu estava preocupado com Sage, disperso. Claro que ele sentiu minha presença.Eu fui um idiota.— Demorou para perceber? — Minha fera rosnou. — Agora conserte.Mesmo assim, o orgulho tornava meus passos pesados enquanto eu seguia em direção à ala de cura. O vínculo de companheiros pulsava com a dor de Sage, já não escondida atrás de sorrisos forçados, agora que ela sabia que eu a observava.Ela não ergueu o olhar quando entrei, embora os ombros se enrijecessem levemente.— Meu Rei. — Disse ela, sem emoção. — Precisava de algo?O tom formal cortou fundo.— Sage...— Eu estava bastante ocupada. — Ela continuou separando ervas com movim
Último capítulo