O som da porta pesada se fechando atrás de mim foi um golpe seco, final. O casarão era imenso, com um pé-direito tão alto que eu me sentia uma formiga prestes a ser esmagada. O ar ali dentro era gelado e parado, cheirando a lustra-móveis caro e a algo que eu só conseguia descrever como abandono. Não havia música ali. Nem o zumbido de uma geladeira, nem o tic-tac de um relógio. Apenas o silêncio absoluto, aquele tipo de silêncio que faz os seus próprios pensamentos soarem como gritos.
O pai