As mãos de Beatriz eram pequenas e delicadas, mas a força com que ela rasgou aquele papel pareceu um trovão nos meus ouvidos. Eu fiquei ali, paralisada, sentindo a chuva fria de São Paulo começar a ensopar meu cardigã, enquanto observava os restos da mensagem de Theo boiando em uma poça suja. "Fica longe dele, Clara." As palavras dela ainda zumbiam na minha cabeça como um enxame de abelhas. Eu queria ter tido uma resposta pronta, algo sarcástico ou corajoso, mas a verdade é que eu era apenas um deserto de palavras. Minha garganta estava fechada, bloqueada por aquele muro de insegurança que eu levava anos construindo. Eu era a garota discreta. A garota que não causava problemas. E Beatriz… ela era o sol. E ninguém desafia o sol sem sair queimado. Abaixei-me com dificuldade, meus joelhos estalando contra o cimento úmido, e juntei os pedaços de papel. A tinta estava borrada, uma mancha azulada se espalhando pela fibra branca, mas a palavra "Hoje" ainda brilhava ali, como um f
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