EDUARDO
O tempo parecia desacelerar quando entrei no sobrado. O rangido da porta soou como um aviso sombrio. Cada passo meu era um golpe seco no assoalho podre, como se o chão reconhecesse o peso da raiva que eu carregava nos ombros. O cheiro de mofo, cigarro e derrota pairava no ar — o cheiro de um passado que eu enterrei a pauladas, mas que agora voltava, de terno amarrotado e olhos de predador.
Victor estava ali. Sentado à mesa como um demônio à espera de um ritual. O rosto mais magro, o cab