Samuel
O cerco não apertou devagar. De um dia pro outro, parecia que o mundo inteiro tinha encolhido e encostado no meu pescoço.
Matérias, comentários, entrevistas da Sarah chorando em horário nobre, conselheiros histéricos falando em “salvar a empresa”.
Eu vivia pulando de uma sala de crise pra outra, tentando defender ao mesmo tempo meu nome, meu filho e um negócio que parecia não ter mais nada a ver com a minha vida.
A reunião com o conselho naquele dia foi o resumo de tudo o que estava errado. Sentamos na mesma mesa comprida de sempre. Gráficos no telão mostravam queda de reputação, monitoramento de redes, manchetes nacionais.
Um conselheiro mais velho, desses que acham que o mundo se resolve com foto em revista, pigarreou e lançou a ideia “brilhante”.
— Olha, Samuel, vou ser direto. — disse. — Casamentos passam por crises. O público esquece escândalo quando vê gesto grandioso. Minha sugestão é, case de novo com a Sarah em público, faça votos renovados na igreja da família, dê