Anny
Acordei com um peso conhecido nas costas e um silêncio estranho no quarto. Andryel dormia ao meu lado, no meio da cama, as mãozinhas abertas, como se abraçasse o mundo. Virei o rosto e vi Samuel.
Estava na poltrona, de terno, a cabeça pendida pro lado, o corpo todo torto, como se tivesse apagado ali tentando provar que não ia embora. Por um segundo, a imagem me deu raiva e carinho ao mesmo tempo.
Levantei devagar pra não acordar o bebê. Peguei uma manta no pé da cama, caminhei até ele e o cobri com cuidado. Ele nem se mexeu, só respirou fundo.
— “Você ainda está pagando muito caro pra dormir confortável, Samuel.” — pensei, sem falar.
Voltei pra cama, encostei na cabeceira, olhando os dois. Demorei a pegar no sono de novo.
De manhã, o mundo já estava com outra pauta sobre a nossa vida. Stella entrou no quarto com um tablet na mão e aquela expressão de quem não sabe se mostra ou esconde.
— Saiu mais uma. — avisou. — Dessa vez, ao vivo.
Meu corpo já sabia o caminho da ansiedade.
—