Anny
Descobri que também dá para transformar prisão em curso intensivo. Algumas semanas depois do desmaio no corredor, a rotina mudou. Não deixei de ser vigiada, mas, de repente, passei a ter uma agenda cheia. Não de passeios, mas de “treinamentos”.
Começou com uma pasta deixada sobre a mesinha do quarto. Capa dura, logo de um hospital famoso, meu nome escrito à caneta.
— A dona Soraya pediu para você estudar. — a enfermeira explicou. — São materiais sobre cuidados com recém-nascidos.
Abri.
Tinha de tudo, como segurar o bebê, como dar banho, como higienizar o coto umbilical, intervalos de mamada, sinais de febre, tabelas de peso e altura. Parecia manual de instrução de gente recém-chegada ao mundo.
Passei os olhos por algumas páginas. Fiquei entre dois sentimentos: o medo de errar e a raiva da forma como eles partiam do princípio de que eu não seria mãe, seria funcionária.
— A senhora acha que eu não aprenderia isso sozinha? — perguntei para a enfermeira.
Ela deu de ombros, constran