Anny
Sarah não podia me tirar da casa, mas descobri rápido que tinha outras maneiras de tentar me tirar do eixo.
Acordei com o barulho suave da porta abrindo. A enfermeira, pensei. Mas quando virei para o lado, vi que a cama tinha ganhado um novo detalhe: um vestido pendurado no cabide, bem em cima do lado da cama, como se fosse o dono do lugar.
Era de um tecido que eu nem sabia o nome, num tom azul escuro que parecia coisa de novela de rico. Ao lado, dobrado com cuidado, um bilhete em papel grosso.
Peguei.
— “Se vai ser babá do meu futuro enteado, vista-se à altura da casa. — S.”
Eu praticamente ouvi o tom de voz dela no rabisco do “S”.
Sentei na beira da cama, o bilhete na mão, o vestido me encarando como se eu fosse a intrusa. A ironia era quase engraçada, eu mal sabia se conseguia ser mãe do meu próprio filho, e ela já me promovia a babá do “enteado”.
— “Pelo menos tem bom gosto pra humilhar os outros.” — pensei.
Bati na porta, chamei a governanta.
— Quem colocou isso aqui? — pe