Natan voltou mais cedo do que pretendia.
Não porque estivesse cansado, embora estivesse, mas porque permanecer naquele salão havia se tornado um exercício inútil. A música alta, os copos erguidos, os risos prolongados demais. Tudo soava deslocado, como se estivesse interpretando um papel.
O trajeto de volta foi silencioso. Sem rádio. Sem mensagens. Apenas o motor constante e o atrito insistente dos próprios pensamentos.
Ele sabia por que estava voltando antes mesmo de admitir isso a si.
A casa dos pais o recebeu com uma quietude suspensa. Algumas luzes acesas. A sensação típica de quem ainda não dormiu, mas tampouco está desperto. Um intervalo.
Natan entrou sem fazer barulho.
Subiu as escadas devagar, atento demais a cada degrau. Não pretendia procurá-la. Pelo menos, era isso que repetia mentalmente. Talvez resolvesse tudo no dia seguinte. Talvez fosse melhor não cruzar mais nenhum limite naquela noite.
Mas o corpo decidiu antes da razão.
Ela estava na cozinha.
Sent