A sala estava longe de parecer tranquila.
Depois do almoço, a casa entrou naquele estado típico de preparação para um evento grande: passos apressados, portas abrindo e fechando, vozes cruzando corredores, o tilintar de bandejas, celulares vibrando em mãos ocupadas demais para atender. Pessoas iam e vinham como se obedecessem a uma coreografia invisível, ensaiada há anos naquela família.
Ana permaneceu perto do tapete central, onde Kali brincava sentada, cercada por brinquedos coloridos demais para o gosto estético da casa, mas absolutamente adequados para uma criança curiosa. Ela observava atenta cada movimento da pequena, mais por necessidade do que por zelo excessivo. Estar perto de Kali lhe dava um propósito imediato, algo concreto onde ancorar a atenção naquele ambiente que, de repente, parecia grande demais.
Kali balbuciava, batendo dois brinquedos um contra o outro, concentrada como se estivesse resolvendo algo extremamente importante.
Ana sorriu sem perceber.
Foi então qu