Ana manteve o olhar em Kali enquanto lhe dava a última colherada do café. O mingau já não estava tão quente, e a criança aceitava a comida com aquela seriedade concentrada que sempre a fazia sorrir, mesmo quando não estava exatamente de bom humor. Era um gesto comum, repetido todos os dias, e, ainda assim, naquela manhã, havia algo fora do lugar.
Ela sentia.
Não precisava olhar para saber que Natan estava por perto.
A presença dele tinha esse efeito estranho: não ocupava espaço com barulh