As semanas passaram sem anúncio.
Não houve um marco exato que delimitasse quando Ana deixou de ser “a nova babá” e passou a ser apenas parte da casa. Isso aconteceu do mesmo modo que as rotinas se formam: repetição, constância, ausência de erros.
Ela acordava cedo. Organizava o dia. Ajustava horários de acordo com o humor de Kali, com a luz que entrava pelas janelas amplas, com o ritmo próprio que a bebê parecia estabelecer para si. Não era um trabalho mecânico. Também não era emocional demais.
Era presença contínua.
Natan esteve em casa mais do que o habitual naquele período.
Viagens curtas. Retornos rápidos. Compromissos reorganizados. Não por causa de Ana, isso ele não admitiria nem para si, mas porque queria estar mais presente para a filha. Essa era a justificativa clara, aceitável, lógica.
E verdadeira.
Ele passou a reservar janelas do dia para Kali. Momentos pequenos, objetivos: o banho da manhã quando estava em casa, a primeira fruta, alguns minutos no chão do ja