Mirtes Valença
O som do mar batendo nos rochedos era a única música que preenchia o silêncio daquela manhã. Estávamos em uma pequena vila costeira, em uma casa de pedra que parecia ter sido esquecida pelo tempo. Aqui, o nome "Arruda" não significava nada. Pela primeira vez em quinze anos, eu não precisava olhar por cima do ombro a cada passo.
Heitor estava parado no penhasco, observando o horizonte. Ele segurava uma pequena caixa de madeira. Ali dentro não havia cinzas, mas lembranças. Ele pa