Magno caminhou pelo corredor em silêncio após deixar Teresa na pequena sala próxima à escada. O som abafado dos próprios passos ecoava contra o piso polido, mas ele mal percebia. A melodia que ouvira ainda vibrava em algum lugar dentro dele, como um eco que se recusava a desaparecer. Ao entrar no quarto, fechou a porta com cuidado, apoiando a mão na madeira por alguns segundos, como se precisasse daquele contato para se manter presente. O cômodo permanecia praticamente intacto, mesmo após tantos anos. Os móveis continuavam nos mesmos lugares, as cortinas do mesmo tom suave escolhido por Cecília, e sobre a cômoda repousava uma fotografia emoldurada. Ele evitava olhar para ela. Naquela noite, não conseguiu. Magno caminhou lentamente até o móvel e pegou o porta-retrato. Cecília sorria na imagem, com o cabelo solto e o olhar luminoso, segurando Theo ainda bebê nos braços. Ele se lembrava exatamente daquele dia. Lembrava da risada dela ecoando pela casa, da facilidade com que tra
Leer más