Início / Romance / A Babá Que Eu Não Podia Amar / Capítulo 5 — Regras da casa
Capítulo 5 — Regras da casa

Lívia acordou antes mesmo do despertador tocar.

Demorou alguns segundos para lembrar onde estava.

O quarto.

A mansão.

E, principalmente…

a conversa que teria naquela manhã.

Ela se sentou na cama, respirando fundo. Não era exatamente medo. Era a sensação de estar prestes a ser analisada por alguém que não aceitava erros.

Vestiu o uniforme com cuidado, prendeu o cabelo e conferiu tudo ao redor antes de sair.

Velhos hábitos.

No corredor, encontrou Teresa organizando a rotina da casa.

— Bom dia, Lívia.

— Bom dia.

— As crianças já estão terminando o café.

Aquilo ajudou.

Começar com algo familiar sempre ajudava.

O café da manhã foi tranquilo.

Bella falava animadamente. Theo permanecia mais fechado, mas não a evitava completamente.

Já era um começo.

Depois que as crianças saíram, o silêncio voltou.

E com ele…

a lembrança do que vinha a seguir.

— Ele está no escritório — disse Teresa. — Pode ir.

O coração de Lívia acelerou.

Ela assentiu.

O caminho até o corredor oeste pareceu mais longo do que realmente era.

Parou diante da porta.

Respirou fundo.

Bateu.

— Entre.

A voz dele era exatamente como ela lembrava.

Firme.

Controlada.

Ela entrou.

O escritório era amplo, organizado demais. Tudo no lugar certo. Sem excessos. Sem distrações.

Como ele.

Magno não se levantou.

Estava analisando alguns papéis, mas ergueu os olhos segundos depois.

E parou.

O olhar percorreu Lívia de forma rápida.

Mas não superficial.

Atento.

Detalhista.

Mais do que deveria.

Ela era bonita.

Não de um jeito chamativo…

mas de um jeito que prendia o olhar.

E isso foi o que mais o incomodou.

E havia algo… diferente.

Natural.

Sem esforço.

Magno desviou o olhar de volta para os documentos.

Levemente incomodado.

— Lívia Vasconcelos.

— Sim.

Ele indicou a cadeira.

— Sente-se.

Ela obedeceu.

Postura firme.

Mãos quietas no colo.

Mas o coração…

acelerado demais.

Magno fechou a pasta.

— Teresa me explicou como você chegou até aqui.

O tom era neutro.

Mas havia julgamento ali.

— Não costumo ver esse tipo de iniciativa.

Lívia sustentou o olhar.

— Eu precisava tentar.

Silêncio.

Ele a observou por alguns segundos.

— E achou que insistir em uma vaga sem indicação seria uma boa ideia?

— Achei que não tentar seria pior.

A resposta veio firme.

Sem hesitação.

Aquilo o fez recuar levemente na cadeira.

Interessante.

— Trabalhou em um orfanato.

— Sim.

— Isso explica sua experiência.

Ele fez uma pausa.

— Mas esta casa não é um orfanato.

A frase veio direta.

Cortante.

Lívia não desviou.

— Eu sei.

— Meus filhos não precisam de improviso. Precisam de estabilidade.

— E é isso que eu ofereço.

A resposta veio rápida demais.

Segura demais.

Os olhos dele se estreitaram levemente.

— Tem certeza?

Ela respirou fundo.

— Eu sei o que é crescer sem estabilidade. E sei o que isso causa.

Silêncio.

Mais pesado agora.

Magno desviou o olhar por um instante.

Aquilo… tocou.

E ele não gostou.

— Sobre ontem à noite... você cantando.

Lívia hesitou.

— Foi só para ajudar Bella a dormir.

— Minha esposa fazia isso.

A frase saiu sem emoção.

Mas o peso estava lá.

— Desde que ela morreu… evito mudanças desnecessárias.

— Se o senhor quiser, eu paro.

Magno ergueu o olhar imediatamente.

E ficou quieto.

Por alguns segundos.

— Ela dormiu melhor.

Lívia não respondeu.

— Theo não reclamou.

Outro silêncio.

— Isso não tem sido muito comum.

Agora havia algo diferente no tom dele.

Menos rígido.

Mais… atento.

Magno abriu a gaveta e pegou um documento.

— Regras da casa.

Deslizou o papel até ela.

— Horários, rotina, responsabilidades.

Lívia pegou.

— Eu vou seguir tudo.

Ele assentiu.

Mas não desviou o olhar.

— Meus filhos vêm primeiro. Sempre.

— Eu entendi.

— E qualquer decisão passa por mim ou pela Teresa.

— Certo.

Silêncio.

Mais uma vez.

Mas agora…

diferente.

Ele ainda a observava.

Como se procurasse algo.

Ou tentando entender por que ainda não a dispensou.

— Eu não gosto de repetir instruções — disse por fim.

— Não vai precisar.

A resposta foi calma.

Segura.

E, por algum motivo…

isso o incomodou mais do que deveria.

Lívia se levantou.

Mas antes de sair, parou.

— Obrigada pela oportunidade.

Magno a encarou.

Dessa vez… por mais tempo.

Sem pressa.

Sem desviar.

E pela primeira vez desde que ela entrou naquela sala…

não parecia apenas avaliando.

Parecia… percebendo.

— Vamos ver quanto tempo você dura aqui — disse.

Mas o tom não era exatamente um aviso.

Era quase um desafio.

Lívia sustentou o olhar.

— Eu não costumo desistir fácil.

Silêncio.

Denso.

Carregado.

E então ela saiu.

A porta se fechou.

Magno permaneceu imóvel.

O olhar ainda fixo no espaço vazio.

Havia algo errado.

Não com ela.

Com a forma como ela o fazia sentir.

Ele recostou-se na cadeira, soltando o ar lentamente.

— Não… — murmurou.

Aquilo não podia acontecer.

Mas, pela primeira vez em muito tempo…

não tinha certeza se conseguiria impedir.

E ele não gostou.

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