Início / Romance / A Babá Que Eu Não Podia Amar / Capítulo 10 - Pedido de ajuda
Capítulo 10 - Pedido de ajuda

O telefone tocou no escritório pouco antes do meio-dia.

Magno atendeu sem tirar os olhos da tela do notebook.

— Magno Albuquerque.

— Senhor Magno, aqui é do Colégio Windsor Hall.

A digitação cessou.

— Sim.

— Precisamos que um responsável compareça hoje. É sobre o Theo.

Ele recostou-se na cadeira, pressionando levemente a testa.

— O que aconteceu?

— Preferimos conversar pessoalmente.

Um breve silêncio.

— Tenho compromissos inadiáveis. Alguém da casa pode ir.

— Desde que seja um responsável direto.

— Será resolvido.

Ele desligou.

Sem hesitar.

Na cozinha, Teresa recebeu o recado com atenção.

O olhar passou pela rotina mentalmente organizada… horários, equipe, compromissos.

Então pousou em Lívia.

— Preciso lhe pedir algo fora do habitual.

Lívia ergueu o olhar.

— Claro.

— A escola chamou um responsável pelo Theo. Eu deveria ir… mas hoje não posso me ausentar.

Uma breve pausa.

— Você se sente preparada?

O peso da responsabilidade foi imediato.

Mas Lívia não recuou.

— Sim. Eu posso ir.

Teresa assentiu devagar.

— O motorista já está sendo avisado.

E, por um instante, houve algo no olhar dela.

Aprovação.

O Colégio Windsor Hall era tão imponente quanto a mansão.

Talvez até mais.

Lívia desceu do carro ajustando discretamente o vestido simples. Não por vaidade… mas por consciência.

Do lugar.

Das pessoas.

Dos olhares.

Dentro, tudo era organizado demais.

Silencioso demais.

Controlado demais.

— Posso ajudar? — perguntou a recepcionista.

— Vim tratar de um assunto do Theo Albuquerque.

A mudança foi imediata.

— Um momento.

Poucos minutos depois, Lívia foi conduzida até a sala da diretora.

A mulher atrás da mesa ergueu o olhar com precisão calculada.

— Senhorita…?

— Lívia Vasconcelos. Sou a babá.

Um leve arquear de sobrancelha.

— Entendo.

Não houve questionamento direto.

Mas houve avaliação.

— Vamos ao ponto.

Ela abriu uma pasta.

— Theo…

A diretora pausou.

— Theo sente mais do que demonstra.

A frase foi simples.

Mas certeira.

— Ele não é agressivo por natureza. Ele reage quando se sente exposto.

— Exposto como? — perguntou Lívia, com calma.

— Quando o assunto envolve família.

A diretora deslizou um papel sobre a mesa.

Um trabalho.

Amassado.

Remendado.

— Ele não terminou.

Lívia observou o papel por alguns segundos.

— O que aconteceu?

— Outro aluno fez um comentário sobre a presença do pai em um evento escolar.

Uma pausa.

— Theo não gostou.

— Ele não bateu — completou a diretora. — Mas se fechou completamente. E rasgou o próprio trabalho depois.

Isso dizia mais do que qualquer briga.

Muito mais.

A diretora a observou.

— Ele não lida bem com ausência.

Lívia sustentou o olhar.

— Nem com substituições.

— Eu não estou tentando substituir ninguém.

A diretora a analisou por um segundo a mais.

Como se estivesse recalculando algo.

Então apertou o botão na mesa.

— Pode chamá-lo.

Theo entrou alguns minutos depois.

Parou ao ver Lívia.

Surpresa.

Real.

Não disfarçada.

— Você?

Não havia irritação.

Só… confusão.

— Vim te buscar — disse ela, com naturalidade.

Ele franziu levemente o cenho.

— Meu pai não veio?

— Não pôde.

Theo desviou o olhar por um segundo.

Mas não reagiu como antes.

— Entendi.

A diretora observava.

— Podemos ir? — perguntou Lívia.

Theo assentiu.

Sem discussão.

Sem resistência.

Bella apareceu no corredor minutos depois, animada.

— Você veio?!

Ela correu até Lívia, segurando a mão dela sem hesitar.

— Aconteceu alguma coisa?

— Só vamos para casa mais cedo hoje.

Bella sorriu.

Como se aquilo fosse um presente.

No carro, o silêncio não era desconfortável.

Era… diferente.

Theo olhava pela janela.

Mas, dessa vez, não parecia se esconder.

— Você não precisava ter ido — disse ele, depois de alguns minutos.

Sem olhar para ela.

— Eu sei.

Ele franziu o cenho.

— Então por que foi?

Lívia respondeu simples:

— Porque você precisava.

O silêncio voltou.

Mas mudou de peso.

Theo não respondeu.

Mas também não se fechou.

Ao chegarem na mansão, Bella ainda segurava a mão de Lívia.

Theo observou o gesto.

Mas não comentou.

Subiu alguns degraus.

Parou.

Olhou para trás.

— Eu não rasguei o trabalho por causa do menino.

Lívia ergueu o olhar.

— Eu imaginei.

Ele hesitou.

Como se decidir falar fosse mais difícil do que parecer.

— Eu só… não queria fazer aquilo.

Família.

A palavra não precisou ser dita.

Ela estava ali.

— A gente pode fazer diferente — disse Lívia.

Theo a encarou.

— Diferente como?

— Do seu jeito.

Um silêncio.

Curto.

Mas importante.

Ele assentiu de leve.

Quase imperceptível.

E subiu.

Teresa surgiu no corredor logo depois.

— Como foi?

Lívia observou a escada por onde Theo havia desaparecido.

— Ele não precisa de correção.

Fez uma pequena pausa.

— Precisa de espaço… e de alguém que não vá embora.

Teresa assentiu devagar.

— E você pretende ficar?

Lívia não respondeu de imediato.

Mas o olhar disse o suficiente.

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