Ponto de Vista: MayaNada me preparou para o impacto. Ver o Leo no Recanto da Maré, com cheiro de mar e serragem, era uma coisa; ver o Leonardo Veronese diante de cinquenta mil pessoas era presenciar uma força da natureza. Do meu canto privilegiado nos bastidores, eu sentia o chão tremer. Literalmente. O grito da multidão quando ele pisou no palco não era apenas som, era uma massa física que me atingiu no peito, tirando o meu fôlego.Eu o observei, paralisada, enquanto ele dominava o espaço. Ele brilhava. Não eram as luzes ou o figurino; era a alma dele se expandindo para preencher cada centímetro daquele estádio. Ele era carinhoso, falava com o público como se estivesse na sala de casa, mas mantinha uma autoridade que me deixava em choque. Eu via as mulheres nas primeiras fileiras — rostos banhados em lágrimas e desejo — e, por um momento, a insegurança que eu tentei enterrar em Porto do Silêncio ameaçou voltar. Mas então, ele tocava os primeiros acordes de uma música que eu sabia te
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