Ponto de Vista: Maya
O "dia ridículo de princesa" começou com um nó na garganta. Eu entrei no salão na cidade vizinha — um lugar que a Fátima indicou como se fosse um segredo de estado — sentindo que estava traindo a fortaleza que construí em Porto do Silêncio. Eu olhava para os espelhos grandes, para as luzes claras e para todos aqueles frascos coloridos com um distanciamento quase doloroso. Eu me via como uma intrusa.
Mas, à medida que as mãos da profissional começaram a trabalhar no meu cabelo, algo estranho aconteceu. O toque da água morna, o cheiro dos cremes, o cuidado meticuloso com a pele que eu negligenciei por anos... tudo isso começou a derrubar as barreiras que eu ergui por medo.
Eu não estava apenas cortando as pontas ressecadas pelo sal; eu estava cortando o peso do anonimato forçado.
Em um momento, fechei os olhos e me vi aos quinze anos, diante do espelho do meu antigo quarto, antes do mundo se tornar um lugar perigoso. Eu era vaidosa. Eu amava a sensação de me sentir