Ponto de Vista: Maya
Eu tentei manter a calma, respirando fundo e buscando o som das ondas de Porto do Silêncio na minha memória para abafar o ruído de São Paulo. O Leo estava ali, a poucos centímetros, e o modo como ele segurava a minha mão era o meu único ponto de ancoragem. Ele me passava uma segurança absoluta, mas o que eu sentia ia além do ciúme; era um descompasso interno. Eu estava me comparando em silêncio, uma aritmética cruel onde eu subtraía meu valor diante da exuberância daquela mulher.
Beatriz se aproximou. De perto, ela era ainda mais impressionante. Não havia garras, não havia a vilania que os livros costumam descrever. Havia apenas uma elegância polida, o tipo de presença que não precisa de esforço para ser notada.
— Então você é a musa — ela disse, com um tom de voz que não era agressivo, apenas curioso. Ela me analisou por um segundo, os olhos azuis captando cada detalhe do meu rosto. — Eu sou a Beatriz. Ouvi o álbum novo... é intenso. Diferente de tudo o que ele j