Ponto de Vista: Maya
A noite em São Paulo tinha sido um turbilhão, mas o retorno para o Recanto da Maré foi como recuperar o fôlego depois de um mergulho profundo. Naquela noite, não queríamos saber de luxo, de mármore ou de vinhos caros. Queríamos o que era nosso. Fizemos um balde gigante de pipoca, nos embolamos debaixo de um edredom gasto e assistimos a um filme qualquer na TV, o som da chuva batendo no telhado fazendo o contraponto perfeito para os diálogos da tela.
Ali, o Leo não era o astro. Ele era o homem que roubava a pipoca da minha mão e ria das comédias românticas clichês que eu escolhia. Quando o filme acabou, a atmosfera mudou. O carinho se tornou urgência, uma entrega lenta e profunda que parecia querer apagar qualquer resquício daquela insegurança que senti no café da manhã. Adormecemos de conchinha, o corpo dele sendo o meu único abrigo necessário, o silêncio da vila nos abraçando como um velho amigo.
A manhã seguinte, porém, trouxe uma vibração diferente. O sol mal t