Ponto de Vista: Leonardo
Eu já estive em centenas de premiações em São Paulo, mas nenhuma delas parecia real enquanto eu observava a Maya se preparar na suíte do hotel. O evento era o ponto alto do ano para a indústria, o tipo de noite em que cada detalhe é dissecado por câmeras e línguas afiadas. Eu estava sentado na poltrona, o smoking ajustado, mas meus olhos não saíam dela.
O vestido verde-petróleo era uma armadura de seda. Ele tinha um caimento pesado, que fluía como as águas do Rio de Janeiro em dias de sol a pino. Quando ela terminou de calçar as sandálias e se levantou, o quarto pareceu ficar pequeno. O coque desconstruído deixava o pescoço dela à mostra — aquela pele que eu conhecia centímetro por centímetro.
— Maya... — eu sussurrei, levantando-me. — Eu já vi muita coisa bonita nessa vida, mas você... você é uma covardia.
Ela deu um sorriso que não tinha rastro de hesitação. Ela se aproximou e ajeitou a minha gravata.
— Você prometeu que seria o meu escudo, Leo. Mas hoje, eu